segunda-feira, 22 de novembro de 2010

...Uma mulher que vivia bem!


.....Então eu conheci, neste fim de semana, uma mulher que vivia bem. Seu método, se condensado em um livro – ou um texto em um blogzinho miserável-, venderia mais do que água. Sabemos que toda mulher bebe água, mas que nem toda mulher vive bem; aí está uma boa propaganda! É sabido também que toda lógica é um truque que faz padecer mais rápido do que o cigarro... Por isso os professores de matemática nunca me pegarão com vida! Mas como eu ia “quase” dizendo, antes de meus pensamentos retóricos se atravessarem na conversa – deixando tudo sem crédito-, conheci uma mulher que vivia bem!
..... Em primeiríssimo lugar, os objetos não satisfazem nossos desejos mais intensos (embora prometam). Os filhos da mãe, dos objetos, tendem a perder seu brilho, mesmo que não percam sua rigidez. Por isso, conheço muitíssimas mulheres que passam o domingo polindo vibradores! Vibradores, objeto não comumente abordado em textos em blogzinhos miseráveis, provavelmente são os objetos que se apresentam com a maior variabilidade de formas. Uns tem formas de carro, outros forma de bíblia, outros ainda forma de coxa de jogador de futebol, mais outros tantos tem forma de discurso, lembrando os vibradores da moda : forma de cifrão! São basicamente os super-gêmeos (essa piada só tem sentido para quem assistia a liga da justiça dos anos 70), gêmeos que assumiam a forma de animal ou líquido em diferentes apresentações (gelo, água, vapor...). Como eu ia “tentando”dizer, este não é o caso dessa interessante mulher que eu conheci. Como ela sabia que o domingo é um dia amaldiçoado em toda a história da humanidade, dia em que acarretam as maiores desilusões – os humanos só sobrevivem na ilusão, à verdade (condição ápice do desiludido) nos sufoca!-, não podia encontrar sentido polindo em uma tarde de domingo. Aproveito esta deixa para confidenciar-lhes dois seguintes: 1- não deixem os professores de história pegar vocês com vida! 2- nunca esqueçam o seguinte nº 1.
.....Eís que essa esperta mulher sabia dos objetos! Foi aí que descobriu uma potente segunda realidade a qual ainda é estranha para nós: Os homens! Todos falamos da humanidade em geral, fazemos campanhas para salvar o mundo e humanizar o homem, porém resvalamos mais nos objetos do que em tobogãs de piscinas de clube (e a bunda se diverte...). A geração atual é a geração vibracal! Esta importante descoberta dos fabricantes de celulares. Há tantos celulares no mundo que carregam a natureza ambígua de não servirem para a comunicação. Alguns dizem que é para ouvir música, outros para ver vídeos pornôs, mas a verdade insuportável e asfixiante consiste no vibracal. O vibracal nos lembra dos vibradores – e por isso gostamos de usar o celular no bolso: as mulheres no bolso dianteiro, os homens no bolso traseiro... e etc.. -, e os vibradores nos lembram do domingo, e por isso somos todos niilistas (redundantes do nada): vivemos em busca do domingo e quando este chega, nos arrastamos para fora dele e saímos semi-mortos (quando saímos...)! – agora devo um galo ao Pcê-. Mas eu falava de uma mulher, portanto sigo, ela descobriu o homem, aliás, descobriu dois!
..... Os homens se ocupam o tempo todo com as mulheres. Precisam ficar bem para elas, ter os vibradores certos para as mulheres certas! Enrijecer os músculos : é um vibrador também! Escovar os dentes, trabalhar para ter dinheiro (roubar é trabalho também, pois dá trabalho ser ladrão – mesmo que na marginalidade : sim, há ladrões que não são marginais!), ir nos lugares certos, na hora certa, com a roupa apropriada e falar a coisa certa (para um homem, falar a coisa certa é decorar sete piadas para fazer uma mulher rir e no mais, calar a boca!), portanto, o homem enaltece o objeto, mas não é o objeto o que ele realmente quer : o objeto é uma isca! Não se pesca dourados com minhoca pequena! Não se abre a porta de um fusca para uma loira do premier! Quando tudo quanto é objeto fracassa, o homem abandona a luta, pois, já matou a charada: a mulher quer sinceridade! Que cobrança perigosa! Se fossemos sinceros não conseguiríamos nem se quer olhar no espelho! Se procurarem a palavra mentira no dicionário da vida, verão a foto de um homem ilustrando a palavra (alguns dicionários - os bons- inclusive, trazem a foto de um homem fazendo sinal de positivo com a mão direita)! Um homem sincero termina como escritor ou guitarrista da banda Sodoma H., portanto, olhar para isso não é nenhum reforço ou convite a ser sincero! –HAHAHAHAHA!-,SER SINCERO É AFIAR OS CASCOS PARA DAR BONS COICES. Já sei que não é assim que se sobrevive nessa (s) cidade (s), é o circuito de lisonjas bovinas que sustentam as amizades e a arte por essas bandas... Como eu ia dizendo, os homens ocupam o tempo todo com as mulheres!
..... As mulheres são mais inteligentes em relação aos homens! Não se ocupam com os homens, se ocupam com os objetos. Um homem para namorar com uma mulher precisa levar 28 foras por noite no tempo estipulado de um mês – nesse espaço de tempo ele adquire um objeto e aí uma mulher aceita ele -. Uma mulher só precisa dizer sim uma vez depois de 28 “nãos”! Existem exceções, mas todos sabemos qual é e no que consiste a regra. Sobre mulheres que procuram homens sinceros, sugiro que procurem na lista de propensos ao suicídio. Provável que atalhem meio cominho. Infelizmente a sinceridade não vibra e nem anda por aí rebaixada com o tampão erguido! Mais certo que esteja na última mesa do bar, sozinha, lendo Rimbaud. As mulheres são mais inteligentes em relação aos homens, mas isso não lhes agrega muita vantagem. Sabendo que os homens são fraudes ambulantes falando de suas iscas, por vezes acabam se fisgando às iscas, e é aí que toda sua inteligência se transforma em tartaruga que caiu de costas! Não preciso descrever mais, não é mesmo? Vocês sabem do que estou falando! Quando vejo mulher saindo de motéis, parece que me recordo de tartarugas voltando para o mar! Mas eu falava dessa tal mulher que vivia bem...
...... Um dia ela me disse em um bar:_ Você continua sozinho pelo que percebo... E eu respondi afirmativamente. Ela disse: _você já sabe que a palavra amor muitas vezes é um clichê? Respondi com outro aceno. Ela : _ Seu problema é que gasta seu tempo desenvolvendo os objetos errados... O que você faz ninguém sabe fazer, é bonito, mas ninguém quer! Aí falei para romper o silêncio: _ O que você pensa ser meu problema consiste no seguinte: Não quero ninguém! E ela me contou que tinha dois homens na sua vida! Nenhum namorado, apenas dois amantes!
.....A diferença de um ser humano para um objeto é que o objeto te obedece (por isso não adianta bater em computadores quando eles travam). Poderiam me dizer que o ser humano é vivo e o objeto não... Mas se olharem com mais atenção em volta, repensariam essa diferença! Essa mulher que conheci, sabia disso e assim optou por dois : nesse sentindo, rompendo com a moral vigente! Só sabemos viver para um, desejando possessivamente um (foi isso que nos socaram na cabeça). Quando há três, não há como haver essa possessão, já estamos em um lugar impossível de cobrar este “ser objeto” do “ser humano”. Se cobrarmos a moral, no sentido que nos foi imposto pela cultura, fracassaremos em uma relação assim. Desta forma o “bem estar” nessa relação não poderia mais se tornar um bem estar na prática moral de um namoro! Assim, essa mulher, ria de mim por eu ser sozinho e dizia: tenho dois homens! Nada mais perigoso e excitante do que isso! E eu dizia: eu tenho a solidão. Ela tem lá seus lados perigosos... De certa forma, eu entendi o que ela disse. Outro ser humano é complexo, há sempre uma possibilidade de ele fazer algo imprevisível , e como o ser humano sempre lhe escapa das mãos como um sabão, talvez o desejo se potencialize e se intensifique... (diferente dos vibradores, que só te dizem que é possível você obtê-los e te dizem que vale a pena) No mais, o que ela dizia era o seguinte: Toda mulher, para viver bem tem que ter dois homens! Eu sorria e concordava: _deve ser mesmo...Cada homem desempenhava um papel insubstituível na vida dessa mulher que vivia bem. Um era um jovem perigoso, metido a grande coisa, escapava-lhe das mãos por correr atrás de outras e ela sentia nisso um fetiche, ou seja, algo que ela não conseguia viver sem... O outro dava-lhe o cordeiro de Deus que o primeiro negava-lhe, e assim, ambos a disputavam e ela disputava ambos sem nunca permitir a eles aproximação. No fim das contas, ela me disse sobre o amor: Amo mesmo é meu cachorro! Esperando meu choque ela recebeu de volta:_eu amo mesmo é “eu” fumando esse cigarro!:_o que a gente não encontra em um, precisa procurar em outro... Ela concluiu e foi aí que vi que ela nunca esteve definitivamente com nenhum dos dois e talvez nenhum dos dois com ela, embora transasse com ambos. Mas ela dizia viver bem assim... eu, no meu canto, imaginei que sim...


r.A.

Nota: A sombra da mão na foto é minha!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A gente nasce, cresce, reproduz e vira jornalista!


.....Olá pessoas! Bem, primeiramente queria falar-lhes de minha ausência – e espero que tenham sentido muito por isso (:D) -, pois eu senti. Gosto de escrever, porém, escrever tem um prazo para mim! Não é bonito o quanto essas coisas trágicas potencializam a gente? Mas não é esse o motivo de não ter escrito nas últimas semanas... Estava muito ocupado com coisas que não são úteis, porém necessárias no momento.- alguém poderia dizer: Como assim? Inútil e necessário? Eu responderia: SIM, igualzinho um prefeito! (Risos). O que faríamos sem um prefeito? Provavelmente as mesmas coisas que temos feito, mas sem um prefeito! O que faríamos sem os jornais? A resposta é a mesma! HAHAHAHA!
.....No mais, hoje, consegui desempenhar a maior parte destas minhas tarefas inúteis e necessárias e por isso estou bem humorado. Portanto, diferente da maioria dos meus textos no blog, este eu vou escrever sorrindo (e ouvindo The doors)!
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.....Hoje, enquanto preparava o almoço, lembrei de uma coisa inútil e necessária! Uma aula que tive na 4º série (no colégio Geni Comel). Uma professora de Estudos Sociais passou no quadro a seguinte frase: O homem nasce, cresce, casa, reproduz, envelhece e morre. Ela pediu para que a turma repetisse essa frase várias vezes (em coro – de alguma forma “mágica”, pouca coisa muda entre a igreja, a escola e a penitenciária). A utilidade deste exercício é duvidosa (de forma alguma penso em desconsiderar as pessoas que gostam desse tipo de coisa – tive uma disciplina de estatística na universidade esse semestre e vocês não acreditariam que lá o pessoal aprende matemática repetindo em coro o que a professora ensina. Todo mundo [ menos o r.A.] : Os dados devem ser organizados em um rol para facilitar a distribuição dos dados PRO-fe-sso-RA! {Nota: Eu sei separar as sílabas, só separei os dois “s” juntos para dar um efeito mais dramático} COISA LINDA ESSE NEGÓCIO DE APREENDER!), como disse, a utilidade desse exercício é duvidosa, mas deve valer para alguma coisa. Por exemplo: Para alguém lembrar isso uns sete anos depois, enquanto faz o almoço, e rir um pouco.
.....Neste exato momento eu estava picando uma abobrinha para cozinhar ela com carne moída (na verdade é mentira, eu não tinha carne moída, aí piquei dois hambúrgueres – Não aconselho que façam isso...). Olhei para a panela (a abóbora esquartejada) e disse para ela: Vê? Você não é um homem! Você não casou! Só nasceu, cresceu, reproduziu, envelheceu e agora eu vou te comer! Eís que talvez o espírito dela estava vagando por cima da panela e me sugeriu o seguinte: Nem todo homem casa! E isso foi o fantasma da abobrinha quem me confidenciou! Retruquei o fantasma: É... Alguma razão você tem... Lembrei que enquanto o coro dizia: O homem nasce, cresce, casa, reproduz, envelhece e morre; eu dizia: O homem nasce, casa e está morto! É óbvio que eu não sabia que tinha razão já tão jovem! Eu fazia isso para encurtar a frase e dar tempo de olhar para os outros que estavam falando e olhando para o quadro. Eu sempre achei engraçado as pessoas repetindo coisas em coro! Estou falando sério! Experimentem fazer isso uma hora dessas... Fiquem olhando as pessoas repetindo alguma coisa em um grande grupo. Parece que “rola” um “lance” de competição. Se você observar com atenção as pessoas batendo palmas para alguém, sempre tem uns que batem com mais força e ficam bravos com os que tem mais força que eles... Sem contar que o cara que puxa as palmas geralmente estufa o peito e se sente feliz consigo mesmo por ter sido o primeiro a puxar as palmas. Ele transpassa os outros com um olhar do tipo: VIRAM? FUI EUZINHO QUE FIZ ISSO, FUI EU, VOCÊS ESTÃO APLAUDINDO AGORA, MAS FUI EUZINHO QUEM COMEÇOU ESSA FOLIA TODA! E os que queriam ter começado com as palmas olham de volta com uma cara do tipo: ... ria enquanto pode... quando você se distrair serei eu a puxar as palmas... quem ri por último ri melhor! E por aí vai.
.....Senti algo assim na última apresentação da Sodoma H. Só não escrevi sobre isso imediatamente pelo fato de outras pessoas sentirem a necessidade de escrever sobre isso – inclusive eu publiquei aqui no blog sem a devida autorização um texto de uma artista plástica que se referia a isso: ela há de me perdoar a traquinagem... espero...). Algo me chamou a atenção nesse último show... A hipótese de um poeta amigo meu é que “os ouvidos vão se desentupindo com o tempo”... O fato é que muita gente saiu de casa para ir no domingo nos ver (e isso, por incrível que pareça, incomodou muita gente – principalmente integrantes de outras bandas). Eles olhavam com raiva para as pessoas que aplaudiam (sinceramente, não me importa muito como as pessoas reagem aos poemas que nós jogamos nelas... Me importa em passar esse poemas da melhor forma possível... etc...), até pensei na hipótese que esses integrantes de outras bandas ficavam com raiva pelo motivo de quererem ser eles a puxar as palmas, mas sabem, há sempre alguém mais atento do lado da gente e acaba sendo mais rápido no gatilho – palma. Ainda sobre a importância: Nos preocupamos tanto dessa vez com nosso recital de poesia que nem se quer nos demos ao trabalho de registrá-lo. Prefiro pensar na hipótese das palmas, pois, por outro lado, teria de pensar que essas pessoas não estavam gostando da “apresentação”. Aí, acho um ato de extrema burrice. Ficar em um lugar onde você não gosta do que está vendo para falar mal depois não é um exercício crítico, é um exercício de masoquista! Eu mesmo já fui masoquista, hoje prefiro perder meu tempo picando abobrinhas... vejam, as abobrinhas tem muito mais a dizer que muitas pessoas nessa cidade! Por último, para finalizar esse desvio de rota no assunto, só gostaria que algumas pessoas deixassem de ser hipócritas e não nos parabenizassem por fazer aquilo que há muito não se faz nessa cidade. Prefiro que falem sobre o meu tênis que está descolado na ponta (e não tenho dinheiro para comprar outro par) antes de ficarem fingindo que gostam do que a Sodoma H. faz ou deixa de fazer. Como escrevi em outro texto e acho que não foi lido (ou recordado) e por isso vou reescrever: Não vão pensar que eu não sei o que vocês realmente pensam de nós! Vocês não são tão bons assim em fingir um sorriso e uma lisonja! Eu sei... Entendem? Eu sei!
.....E aí eis que terminei de cozinhar a tal da abobrinha!Não ficou tão ruim. Me trouxe aquela recordação da aula de estudos sociais e eu fiquei pensando sobre a reprodução enquanto fumava um cigarro após o almoço. Pensei: Quem se doa demais em ficar unicamente reproduzindo já está morto e esqueceu-se de cair! E vai que alguém lembra esses mortos de que já morreram? Eles já tem embutido toda uma filosofice que engendra na patifaria. Se você diz para eles que eles estão apodrecendo em pé, eles ainda acham que você está oprimindo eles! Inclusive disse semana passada para uma amiga que ela estava ridícula fazendo o que estava fazendo e ela achou que eu queria comê-la! HAHAHAHA... Que que é isso? Eu gosto mesmo é de comer abobrinhas!

r.A.- Dando risada que nem jogral!

Obs: Espero ter matado a saudade dos que me gostam com essas palavras todas... Viu guria que me cobrou um texto na sala de aula? Eu escrevi outro! :D

NOTA DE RODA-PÉ-NO OUVIDO: Para as pessoas que fizeram todo um estardalhaço em relação ao fato do Paul McCartney estar em Porto Alegre... Por favor, me poupem desse assunto! Não vejo nada que valha a pena nisso... É um noninho milionário com um violão que vale mais do que o dinheiro que vocês conseguiram reunir em toda uma vida, porém, é preciso fazer muita força para encontrar alguma coisa de poesia nas músicas dele – “quem sabe inventar” que lá tem alguma coisa de poesia-(E ISSO PROVA QUE UM EQUIPAMENTO BOM NÃO É TUDO!). John Lennon disse: Paul só fez yesterday, o resto é fiasqueira! E eu quase concordo: Acho Yesterday chata e BICHENTA! Para a geração Beat aposentada que cuida dos netos e fuma maconha escondida, acho que é bem didático torrar uns 400r$ para ter alguma coisa para falar até o fim do ano... Para a juventude que baba ovo dos livros beat, por favor, comprem uma garrafa de gim e vão para o outro lado do bar que eu tenho alergia de pseudo-saudosistas (pois, a única referência que eles têm dos beats é os livros que os beats escreveram para não passar fome... ou para afastar a ideia de fome...).

sábado, 13 de novembro de 2010

Nós sempre faremos isso...

(Texto da artista plástica Monique Cescon).


.....Por vários momentos nessas ultimas semanas estive me questionando e com isso questionando a que público devesse se colocar a arte contemporânea. Mesmo estando convencida que estão claros meus questionamentos a cerca da arte contemporânea, vejo que alguns de meus amigos imaginam que já devesse ter-me esclarecido sobre tais assuntos, porém, permito-me um pouco mais de suor e lágrimas no que diz respeito á minha arte. É mais sabido que, mesmo por diversas relações e definições que se tem da palavra “público”, todos somos membros de um.
.....Os artistas que vieram de toda a geração de Botticelli não ousariam negar a perspectiva ou toda a anatomia do sec. XV, mas, quando Matisse rompe com a pintura do sec. XX que até então se definia acadêmica, técnica e bela e a torna expressiva e gestual é criticado por grandes pintores da época que sabiam utilizar de critérios teóricos e formas numa analise estética visual na arte. Picasso rompe com Matisse e o modernismo, para expressar mais ainda a arte em formas e temas não questionados e utilizados pelos padrões da época. Não foi simplesmente para se divertirem que fizeram suas respectivas críticas, isto é evidente! Quando Matisse apresenta sua tela (Alegria de Viver. 1906) recebe a seguinte crítica do pintor Paul Signac:

“ Matisse parece ter se perdido. Numa tela de dois metros
E meio, ele contornou alguns estranhos personagens com
Uma linha da espessura de um polegar. Em seguida
Cobriu tudo com uma cor plana, definida, que embora
Pura pareceu de muito mau gosto. Lembra as fachadas
Multicoloridas das lojas de tintas, vernizes e produtos
Domésticos.” ( STEINBERG, Leo. 1972. P.22)


.....Anos depois quando Picasso apresenta (Les Demoiselles d’Avignon) é julgado como falso e contraditório pelo mesmo Matisse que também rompeu um dia com padrões estabelecidos na arte. Percebe-se que os artistas rejeitados por museus, salões, e criticados por sua arte, ouviam e eram submetidos a críticas, por pintores, poetas e artistas da mesma época e na maioria das vezes artistas acadêmicos. É como se quisessem que você fosse a uma formatura de direito, usando calça jeans e camiseta do Ramones sem ser tomado com impertinente. Nota-se que o rompimento perturba em excesso.
.....Quando Baudelaire critica o pintor Courbet e fala sobre a “retratação das faculdades espirituais”, que se impõe sobre si mesmo para atingir um ideal sereno e clássico, e que assim toda a imaginação e movimento são banidos de uma obra, é visto como insensível e inferior a Courbet. Mas Baudelaire, literato, seria insensível aos valores visuais?
.....A crítica que ele reporta a Courbet mostra que tendo seus próprios ideais, ele não estava disposto a sacrificar coisas que o pintor havia posto de lado. Courbet, como qualquer bom artista, também seguia seus próprios objetivos, os valores que descartava (a “beleza ideal” e a fantasia) para ele há muito se perdeu, no entanto, sua virtude positiva, não constituía uma perda. Mas eram sentidos como perda para Baudelaire, que consistia na fantasia e a beleza ideal não exaurida.
.....Sobre isso, penso, e não penso sozinha, que uma pessoa (público), diante de uma obra de arte contemporânea, não pode ser vista como alguém que não entendeu a obra (ouvimos isso sempre). Pode simplesmente, significar que, tendo uma forte ligação com certos valores, essa pessoa não pode servir a um culto não familiar no qual esses mesmos valores são ridicularizados. E a arte contemporânea é um convite a aplaudirmos a destruição de valores que ainda pregamos, não é para ser CLARA. Ou me engano? Talvez não seja isso que esta acontecendo... A “arte contemporânea” esta sendo embelezada, VALORIZADA, Rafaelizada. É possível ouvir anjos quando se comenta certos trabalhos hoje.
.....Percebi essas coisas no ultimo final de semana (sim depois de tanto me permitir dar socos em mim mesma), recebi um convite para uma apresentação musical de uma dupla de músicos trágicos e poetas excelentes desta cidade. Como toda a boa arte, cerveja e composições musicais próprias, lá fui com meu corpo. Inevitável é não observar outros corpos.
.....Em certos momentos senti que houvesse pessoas daquela festinha de direito, que falei anteriormente, me observando... Convide alguém para jantar e sirva-lhe algo como estopa ou parafina e vão entender o que estou falando! O que vi, até onde pude ver (depois disso algo foi maior) foram pessoas, sangue, indefinições tentando encontrar alguma explicação para aquela “magia” que tomava conta de seus seres, das suas peles e das suas “almas”. Mas também, como era a hora e não pude fechar meus dedos, vi mais coisas. Pessoas irritadas com amigos que estavam gostando de tudo aquilo que não consigo definir, apreensivos com a ideia de que pudessem gostar de fato do que estavam ouvindo. Furiosos consigo mesmos por terem sido desmascarados por toda aquela situação. A música agia e os deprimia. Mas toda aquela situação era motivo para ficarem tão deprimidos? Se não gostaram daquilo porque não iam embora, não ignoravam? O que realmente os deprimia era sentirem aquela música e o que aquela música podia causar a toda a arte.

.....E tudo isso, que me questiono, também me responde... A que público serve a arte?
--- Ao público.
.....Porque não dá pra ter uma experiência como tive e voltar ao trabalho na segunda feira como se nada aconteceu. Me cansa o público que diz estar em outro nível, pressupondo, assim, estar acima de ser "público" e analisa formalmente, e critica a todo tempo as formas de arte pela “qualidade”, “avanço”, “medindo” a arte numa escala comparativa, dizendo a um artista aquilo que não deve fazer e ao publico o que não deve ser. TODOS SÃO PÚBLICOS!
......Uma obra pode ser indiferente a crítica, agora a crítica... É como alguém que tem esperanças em ir à praia e infelizmente, o tempo indiferente, faz chover. Na noite desta apresentação musical, pode-se ouvir palavras como “eu não gostei” ou “eu gostei” proferidas tanto para a musica como para a bebida que ali se encontrava. Ora, o gosto em arte não pode ser uma entrega a qualquer estímulo interessante.
.....De toda essa forte experiência estética que pude fazer parte, juntando com todas as questões que me atormentavam por mais “simples” que se imaginam, certamente posso afirmar que as coisas estão acontecendo! E, pode ser mais rápido do que possuímos!
.....As semanas que me passaram com indecisão, decidiram para mim, em um momento enquanto eu me colocava como público. Presenciei a arte, inevitável negá-la. Você pode fechar seus olhos, seus ouvidos, seu corpo inteiro e ela ainda assim estará por perto. Deixo uma autocrítica do escultor Jean Tinguely (1962):

“ Não é um gesto de trabalho
Não é um gesto de esporte.
Não é um gesto de amor.
Ce n’est pás dans La vie”.
( não está na vida)










Monique C

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Uma psicologia da afirmação do "vago"


.....”Com a face e os membros pintados de mil maneiras, assim me assombrastes, homens atuais.
E com mil espelhos à vossa roda, que adulavam e repetia o efeito das vossas cores.
Certamente, não podíeis usar melhor máscaras do que a vossa própria cara, homens atuais.
Quem poderia reconhecer?”

-Nietzsche (Assim falou Zaratustra – Do país da civilização)

..... Se pudesse hoje, sem mais análises, pintar o símbolo de homens em seu estado psicológico mais vazio, pintaria um carro de capo aberto e imprimiria nesse carro a insígnia que identifica um grupo! Não necessitamos de maior aprofundamento psicológico para figurar o símbolo de “machos em decadência”, aquilo que aos mais nobres dos homens já obriga uma reflexão de no mínimo três dias antes de poder proferir a frase: “eu sou um homem!” É perigoso dizer que é homem contemporaneamente, ora, acredito que alguns poucos de vocês irão concordar comigo, mas eu não sinto a menor vontade em ser contemporâneo dos homens que tenho visto em meu cotidiano, aliás, sinto imensa tristeza quando passo por um deles! E digo tristeza por cortesia, pois facilmente poderia substituir tristeza por náusea! Depois disso, se me fosse pedido para pintar um segundo símbolo de homens em seu estado psicológico mais vazio, pintaria a idolatria a times de futebol! Nada que necessite, novamente, de um aprofundamento psicológico, ora, nada que retrate melhor homens vazios do que a sua própria nulidade elevada na enésima potência: Um amontoado de músculos suados a correr atrás de uma bola, incentivado por gritos de outros homens, e, um grande montante de dinheiro! Ao olhar para a história da humanidade e grosseiramente posicionar, lado a lado, os homens mais antigos com os de hoje, sinto dizer, mas, estamos na época do homem mais ridiculamente inferior! Alguém, com uma esperança fúnebre gritará: Mas nós evoluímos! Hoje não batemos em mulheres!(?) Eu responderia: Claro amigo, não se deve arrastar na terra vossos enfeites! Pois digo, nada mais “oposto complementar” (como uma jornalista adora usar esse termo) para um homem tão decadente, quanto uma mulher que lhe serve como adorno, como enfeite, algo para exibir para os amigos e chorar publicamente: Meu amor, não sei o que faria sem você! Um homem que não sabe o que fazer sem uma mulher não é virilmente um homem, mas um pedaço de infantilidade! A muito nem as crianças são tão infantis! Nem as crianças, me parece, são tão covardes ao ponto de jogar suas expectativas nas costas de uma mulher! (e versa no vice).
..... Se por um lado somos um herdeiro em comum com o macaco que evoluiu (Darwin e Neodarwinistas, psicologia fisiológica – biológica, psicanálise até um ponto...), começo a pensar que o macaco está a rir de nós! Que macaco gastaria seu salário para equipar um carro a fim de constituir um argumento para sua fêmea de que é um bom partido (que macaca acreditaria no argumento?)? Digam-me, que macaco ligaria sua imagem ao porta mala de um carro entupido de batidas distorcidas para chamar a atenção? Melhor ainda, que macaco passaria horas em uma academia malhando o corpo a fim de alterar sua imagem inaceitável para si mesmo frente ao espelho? Me desculpem as mulheres, mas uma macaca não se impressionaria com isso, algumas de vocês sim! Hoje, caímos todos no truque de sentirmos nojo de nós mesmos sem poder admitir (pense positivo), psicólogos de linha de produção dizem: nada de aborrecimentos, o importante é ter saúde, vamos trabalhar! O homem, pobre e pequeno homem, antes de ficar nu (em todos os sentidos...) já esta pensando no transcender as expectativas, nem aproveita seu momento de nudez, e por vezes beija tanto os bíceps que esquece de tirar a roupa! Outras vezes (a maioria das vezes) seu bíceps é o carro rebaixado com som – aqueles que não possuem a inteligência e coordenação motora suficiente para executar um instrumento musical tem de apelar para as máquinas mesmo! Afinal, elas não se cansam como o fracassado homem! Sobre som automotivo, devo lembrar-lhes que música é algo composto de melodia e acordes, no tocante que som automotivo, quando possuí, possuí apenas melodia – portanto não é música, é apenas ruído... Devo lembrar-lhes? O violão mais desafinado supera dez carros de som (para não dizer todos), pois ainda é plausível de arrancar-lhe um acorde, já para o ruído, basta arrastar as unhas no corpo do violão – Vejam homens (e mulheres), é preciso um pouco de bom gosto para a arte e certa competência de intelecto – e se ainda acham que tiram de mim alguma razão afirmando que “gosto não se discute”, eu retruco-lhes como Nietzsche que “a vida é uma questão de gosto!” e complemento, não discutir sobre a vida, é o que lhes atolou no estrume até o pescoço! Pretendem afundar mais? Quem via o homem moderno, jamais imaginaria que se tornaria um adepto da “coprofilia”.
..... Se por outro lado ainda, se acredita que o homem é imagem e semelhança de Deus, talvez Deus tenha se tornado o mais anêmico dos super-seres! Se o mais grandioso ser pariu tamanha imperfeição, não deveríamos nós duvidar de sua perfeição? “Amamos o perfeito” dizia o poeta Fernando Pessoa, já que é o que nunca seremos! Cansados de nossa impotência ao buscar algo maior que o homem, hoje destinamos um lugar de santidade a toda a idiotice! Logo que ser idiota esta ao alcance de qualquer homem – E se escrevo isso é por não sub-julgar o homem, de outro modo, teria eu de admitir que a idiotice seja caráter intrínseco ao homem. Aí, escrever seria absurdo! Se pudesse justificar minha escrita, diria que tenho gosto por montanhas altas... Escrever para idiotas é fácil demais... Mas já aprendi em uma madrugada que minha escrita se justifica sozinha.
..... Hoje, vejo aparecer, semelhante às gangues de delinqüentes os ditos grupos. Não há grande diferença para mim, em um ponto nodal, essas gangues delinqüentes dos grupos, ambos se agrupam em nome de uma identificação negada e buscam uma identificação afirmativa. Sozinhos se sentem incapazes, juntos manifestam pensamento gregário (que faz parte da “grei”, rebanho; que vive em bando). Vou definir a que tipo de grupo me refiro, para que melhor me faça entender: Juntam-se em nome dessa identificação negada – negam quem não faz parte do grupo-, e na seqüência, com esse rebanho, buscam afirmação elegendo símbolos. Usam uniformes (camiseta e calção) com um símbolo estampado, elegem um nome (geralmente algo em inglês, de alguma forma acreditam que isso lhes atribuí algum status maior) e fixam em seus carros e motos. E o que fazem com isso? Aparentemente nada! Apenas o pertencer ao grupo é o suficiente! A baixa auto estima por si mesmos é a denuncia. Como disse no começo deste texto, “se pudesse hoje pintar o símbolo de homens em seu estado psicológico mais vazio”... Este é o adesivo! A insígnia de um grupo! Me livrarei de análises psicológicas e sociológicas que atribuem a esse exercício a necessidade da constituição de ser em uma sociedade que não mais abraça os cidadãos. Como notaram desfragmentei os comportamentos no inicio a fim de desmantelar suas propostas. Meu faro aponta para algo mais perigoso, uma psicologia de afirmação do “vago”.
..... Por vago, entendo, O que vagueia; O inconstante; Perplexo; Indeciso; Indeterminado; Confuso; Devoluto; Desabitado. Vagueiam, apenas isso, sem preposição alguma. São inconstantes, pois podem ir da nulidade de sentar sobre os capôs dos carros para ouvir ruídos, tal como, serem agressivos, atacarem outros como uma gangue, um rebanho, um único motivo: “mexeu com um, mexeu com o grupo”! Perplexo, pasmado, irresoluto, característica que não passa disso, mantém-se pasmado, não sabe o que o espanta e tão pouco procura saber (resolver-se). Indeciso, não decide, o grupo (que é todo indeciso) decide pelos indivíduos – sem preposição, mais uma vez. Indeterminado, pois não se determina por valores que vão para além desse grupo ou antes (comprar um carro, ter uma mulher enquanto enfeite...). Confuso, ao ser questionado, consulta ou informa o grupo. Devoluto (nesse sentido que aplico), não cultivado – não cultiva o engrandecimento de seu ser, destituído dos valores desse grupo, resta pouco enquanto identificação consigo mesmo. Desabitado de sentido singular. Quando falo nesse sentido do grupo, não nego que é em um grupo que se adquire a construção psicológica do sujeito, com seus valores, sua linguagem, afirmo que essa nova forma de grupo os levam a uma afirmação de uma psicologia (tal qual é o sentido do texto) do vago. Um levante vazio de manifesto a sociedade que deixa a desejar? Poder-mos-ia dizer que sim, porém, o fato de não haver manifesto algum fora um sintoma de nadidade, niilismo, direcionamento para super-valoração dos objetos acima do ser, não nos deixa dizer que isso é uma forma de manifesto.
.....Alguma preposição para sair desse atoleiro? Esperarei contribuição de psicólogos e afins no presente blog – ao mesmo tempo que não, pois já desenha-se na minha mente uma preposição baseada na transvaloração. No mais, continua no próximo texto.

r. A.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Da dignidade frente um filósofo...


Ler filosofia tal como usar de seus conceitos – parindo outros- tem sido o meu trabalho que ultrapassa qualquer remuneração. Procurei por algum tempo algo que me desse à liberdade necessária para que me expressasse, deparei-me com a literatura e seus gêneros, a música, mas o meu, digamos, melhor campo de manobra tem sido esse meu trabalho. Sabia das dificuldades disso que escolhi, o mais duro foi aceitar essas dificuldades. Aspirar ser um filósofo requer bastante disciplina, não ter hora para dormir, apagar durante alguns dias, sentir-se exaurido cognitivamente. Quando me aparece algo que exige de mim um posicionamento filosófico – uma questão cotidiana, um problema de patamares maiores, uma angústia, ou até mesmo, a busca por um sorriso- sinto como se estivesse a embarcar em um navio sombrio, sozinho, contemplar uma tempestade em alto mar. Sei que outros trilharam esse caminho e encontraram além de mares revoltos um sorriso sobre humano! Atualmente quando me deparo com essa necessidade de embarcar, penso nesses meus 23 anos e como outros amigos deixaram alguma pista para mim séculos passados (me refiro a Nietzsche que escreveu sua primeira obra aos 24 anos). A contemplação do homem em alto mar, sentindo na pele sua embarcação sendo surrada pelas ondas, pelo vento, pela tempestade, pela noite, há alguns anos tem sido o meu lar... Os tesouros e as cicatrizes da aventura, até mesmo a morte que paira no ar, o sufocar-se, isso tudo é o sinal do grito desesperado e humano que trago na córnea dos olhos da alma e no coração. Uma tremedeira e um suor gelado frente ao perigo, eis os meus deuses! Quando meu radar-corpo alerta que isso me escapa (ou que outros relutam em me tirar), prontamente arranco minha espada trincada de pelejas e a empunho sobre minha cabeça. Há brandir a espada com toda força sinto não só o punho, mas o corpo inteiro que enrijece. Com o passar dos anos pouco me importa se me acusam de arrogância, de agir de forma ridícula, animalesca, vil, obscura ou sanguinária! Sou realmente capaz de por a correr amigos e quem dirá inimigos! Tenho palavras que esmigalham rochas, arrancam árvores gigantescas, esfarelam muros, decepam pernas, braços e cabeça de monstros. Vivo acuado como uma pantera e ganho palmo a palmo a floresta. Também sei dar festas dionisíacas aos amigos, recebê-los com vinho, música e dança! Recito um poema como um lobo uiva para a lua, acaricio pernas com o corpo todo, semelhante a um gato sonolento e roliço. Apartar-me da filosofia é ação inútil, desperdício de força! Jogá-la na lama e um convite para um duelo, é oferecer-me a lança, polir minhas garras e presas, despertar minhas feras! Ao pedir para eu içar as velas de meu navio tenham a dignidade de deixar-me atravessar o mar, do contrário, deixem-me na integridade de minha loucura – é para poucos! Saibam desde ontem, é para muito poucos!

r.A.