segunda-feira, 6 de setembro de 2010

"Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo..."


.....Não sinto mais tanta vontade de escrever. O que houve? De alguma forma, sinto em algum lugar fora de mim – aquilo que se perde são palavras - , que perdi as pessoas e versa & vice. Por algumas horas pensei em Fernando Pessoa. Estava frio essa manhã e eu andava com uns poemas de Pessoa no bolso traseiro da calça jeans. As pessoas saiam correndo, perdendo o ônibus, algumas esquecendo alguma coisa, perdendo sempre : Mas que bando de perdedores! Por alguns instantes tive uma frase de efeito incrível, sabem, daquelas que imortalizam um poeta... Era mais ou menos assim (infelizmente eu esqueci a frase inteira – fodido como poeta e jebus riu lá do alto): Hã... eu aceitaria perder a vida, desde que não perdesse as palavras & o contrário sempre será válido! (Aplausos frenéticos da multidão até sangrar a palma das mãos e deslocar os pulsos).
.....Todo dia alguém vem me contar que fez alguma coisa muito boa. Sorte deles! E eu continuo procurando alguém para fazer alguma coisa boa por mim. Eu bem sei que deveria me misturar mais, conversar, olhar as pessoas nos olhos, dizer: Cara, gostei muito de uma coisa lá que você fez ______ <= Espaço para ser preenchido com alguma coisa. Mas eu tenho uma trava para falar essas coisas. Aliás, eu tenho uma trava! Eu me daria bem se eu conseguisse fazer isso. Por uma eterna e apocalíptica meia hora eu pensei sobre isso: r.A. entra em uma padaria. Senhor padeiro, eu devo admitir, gosto muito de como você diz para mim todas as manhãs “bom dia” acompanhado de um “no que posso ser-lhe útil?” Eu conheci algumas mulheres nessa minha curta vida que acordavam comigo na cama e só me pediam a hora ou diziam que precisavam ir embora. O padeiro, lisonjeado me dizia muito obrigado, você é muito gentil. Vou fazer o seguinte... tenho notado que o Sr. tem fumado demais e comprado muita cerveja. Vou lhe dar um saco de pães. Esta olhando aquela cuca ali? Ok, leve-a também. Por conta da casa. Ah, ia me esquecendo. Leve também esse dinheiro, quinhentos reais não me fará falta. Pague a mensalidade na universidade, você tem um glorioso futuro pela frente! E nós apertávamos as mãos com firmeza e empatia. Pensávamos que naquele momento conhecemos pessoas de bem. Quando eu saia, a mulher do padeiro apareceria pela cortina que separa o balcão da cozinha, com um daqueles chapéus, com luvas de plástico nas mãos e questionava ele sobre o cara manco que acabara de sair. O padeiro enxugava as lágrimas na manga da camisa e diria que lá se foi um grande poeta e filósofo.
.....Antes de voltar a pensar na diferença que consiste entre mim e Fernando Pessoa, o segundo certamente escrevia e o primeiro não, senti que o grande segredo da vida era ser gentil. Que pena... Algumas pessoas matam sorrindo, traem cantando, cagam pensando em flores, e acham que Chê Guevara foi um herói.
.....Cansado, sentei no canto de uma lanchonete para ler os poemas que trazia comigo. Pelo menos alguém que tinha vontade de escrever. Li “Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?” Retirei um cigarro do bolso. A garçonete magra, sorrindo, apontou para uma placa de proibido fumar. Cantarolei um blues e tomei meu café. Quando voltei para casa, refletindo sobre minha pouca vontade de escrever, passei pela padaria. Acenei para o padeiro e ele fingiu que não viu. Sujeitinho esperto aquele.

r.A.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

"Não há vida correta na falsa" - Theodor W. Adorno



Alguns dias se passaram até que eu desisti da ideia de escrever alguma coisa sobre arte contemporânea para terminar aquele tal “Utopia de bêbado filósofo”. Passei dias de vazio, sem nenhuma inspiração, sem a mínima vontade de pronunciar palavra alguma. Pensei: Porra será que eu morri? Soube que fraudaram uma exposição em Chapecó, digo, inventaram um curador (que nem tem formação em curadoria) para fazer uma exposição em um desses lugares falidos que se dizem lugares de cultura da já citada cidade. Pensei: Ora, se nem os artistas plásticos dessa cidade se dão ao luxo de lutar por algo descente para eles... Não tenho motivo algum para escrever algo – além do mais, li livros que são obrigatórios para qualquer acadêmico de artes visuais e curador (Archer, Cauquelin), eles leram esses mesmos livros e nada fizeram de grandioso -, os artistas dessa cidade me decepcionam (salvo os que sabem que se salvam dessa crítica)! Então para não perder esse parágrafo vou resumir assim: É óbvio para mim que quem for nessa exposição só vai ver (palavra inapropriada para essa hora...). Não vou citar aqui o lugar, mas se quiserem saber me perguntem pessoalmente (ou por depoimento no Orkut da banda Sodoma H.) que eu respondo. E, por fim, algo ficou esclarecido para mim. Em Chapecó, as pessoas deveriam tomar muitas lições de ética para talvez, um dia, desenvolverem aquilo que a linguagem mais popular denomina: Vergonha na cara.
Depois desse não “disso”, concentrei minhas energias para fazer a melhor apresentação possível para amigos muito caros a mim no café brasiliano. No começo nos enrolamos um pouco (André e eu- Sodoma H.), difícil nos acostumarmos com o ambiente (montamos nossas máquinas de fazer poesia em um lugar que dava eco) e com pessoas sentadas. Mas cada sorriso, cada olhar, cada aplauso, nos deu energia para executarmos nossos novos poemas – E outros antigos-, a propósito, só para constar: NOSSOS! Enquanto isso, em outros pontos da cidade, a velha máfia da “música” estava fincando aquela velha vitrola riscada na mente das pessoas. Há um motivo? Sim: Há quem goste! Eu sinto muito por isso, pois, há um grande número de jovens montando novas bandas para mostrar novas músicas, para renovar essa cultura empoeirada (empoleirada?) , no entanto, os que se dizem músicos e os que se dizem artistas, na sua maioria, se encontra no mata-mata (regrinha básica do capitalismo interiorizado na subjetividade de alguns...)! Como é que isso entrou na cabeça dessas figuras? Quando foi que invés de lutar por espaços começou-se lutar contra os que querem um espaço para propor algo? Esses músicos (cabeça) de cove (r), não escutam nem se quer as músicas que fazem cover? Não me recordo do Led Zeppelin, Black Sabath, Hendrix , The doors terem dito: Fechem as portas! Ganhem dinheiro nos plagiando! Interrompam a história do rock! Vocês acreditariam se eu lhes dissesse que há quem gosta de ser “banana”? Atendi o telefone no sábado de madrugada:
_Alô?
_Oi, você não vai vir aqui no “x” ver o pessoal tocar um rock?
_Sério que estão tocando aí? Que banda é?
_Não sei... Mas estão tocando Hendrix igualzinho!
_É o Jimi Hendrix?
_Claro que não né tchó!
_... Quando o Hendrix aparecer, me chame... Sinto muito, mas estou cansado, sabe, fiz música ontem, toquei minhas próprias músicas, sabe, isso requer um pouco mais do que ficar me exibindo e violando o cadáver do Hendrix...
_...
No domingo abro meus e-mails e me convidam para uma exposição. Porra, mas eu conheço esses trabalhos, são os mesmos de dois, três, quatro anos anteriores... Será que essa gente não tem vergonha de ficar de torrando o saco fazendo sempre a mesma coisa e expondo sempre a mesma coisa e ainda assim carregando crachás de artistas no lombo? Uma amiga, dia desses, disse que eu não sei conviver com a diferença. Como? É justamente a diferença que eu estou reivindicando há algum tempo!
O mesmo refrão idiota um mês, um ano, dois anos, três anos, quatro anos, na rádio mais versátil e descolada da cidade. Pensei: Porra será que eu morri e estou em um poço do inferno, aonde os que chegam, devido ao excesso de contingentes são lançados? Tudo bem, eu posso com minha banda (ou dupla, ou o que quer que seja isso...) fazer a diferença. Mas eu quero ver também outras coisas, quero assistir bandas propondo coisas, não chorando que nem uns bebês no palco ( “ai... ela não me ama... ai... vou trair ela com a nona dela... ai... eu sou um sertanejo/roqueiro/punk/cristão/filho/filha/puta/puto/etc... infeliz...”). Quando alguém me diz que estamos vivendo um caos nessa cidade eu pergunto: Diga-me uma coisa, que exposições estão acontecendo nos centros de arte dessa cidade? O que o povo anda vendo nos jornais? O que esta tocando na rádio? O que aconteceu na Efapi na última quarta-feira? Que canções esse povo anda cantando mentalmente por aí? Depois de me responderem (e se responderem) isso, se tiverem coragem mesmo para dizer que estamos em um caos, que os jovens não têm mais nenhum tipo de limite (ético, não imposto por leis e normas) eu retruco: Vai te mexer cabra! Não fica alugando minhas orelhas dizendo que estamos ferrados! Faça alguma coisa. Deve ser por isso que ninguém mais reclama – ninguém tem coragem de fazer algo. Somos reféns dos bandidos, me disse o cara do jornal às 12:15 hrs. Eu respondi ele, na mesa, para o espanto de mim mesmo: TEU CU! SOMOS REFÉNS E DE NOSSOS TRASEIROS PREGUIÇOSOS E ESTÚPIDOS! A cada dia que ficamos fuçando em sites na internet, aplaudindo toda essa montanha de lixo, toda essa pose de nada (nádegas), estamos tornando essa cidade, esses bairros, essas casas/apartamentos, nosso corpo, nossa mente, nossa alma, uma extensão do aterro sanitário. (Há um diferencial) Pelo menos lá, se enterra a merda, não se expõe para essa multidão aplaudir, para esses jornalistas explorar a ruína.
Portanto hoje, meus amigos (parece discurso político né? E no fundo, é), invés de vocês comentarem: Bom texto, parabéns, é verdade, eu penso o mesmo... Vão fazer algo a respeito disso tudo, e se serve de ponto base, saibam que eu fiz três vezes mais do que podia esse fim de semana.

r.A. – ele tá revoltadinho? Tá sim, e daí?

Nota: Leia esse como o último texto das utopias de bêbado filósofo. De agora em diante, os versos serão mais pesados.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Uma canção vagabunda

Às vezes a gente afunda na merda e vai sair do outro lado: No inferno. Quando estou no inferno é como se eu jogasse na minha mesa de sinuca favorita. Como se eu ligasse o rádio e lá estivesse começando uma de minhas canções. Como se eu estivesse procurando um babaca para xingar e do nada o babaca entra no bar com um sorriso no rosto, um rosto redondo, uma babaquice estampada no fundo dos olhos, com as mãos em posição de reza, implorando uma frase retirada da bota do capeta, daquelas que eu me destaco no momento em que tudo esta alinhado. Mas absolutamente nada disso esta acontecendo. Quem me conhece sabe que não sei jogar sinuca (felizmente para os jogadores de sinuca...) e minhas canções não tocam na rádio (não tenho nenhum talento, que droga, que lástima, que vergonha que tenho na cara). Que prefiro abaixar a cabeça para os babacas. Guardar os murros no bolso e transmutá-los em escrita não é necessariamente desperdiçá-los. Quem me conhece sabe que estas coisas estão acontecendo comigo e isso é quase o céu. Estar no céu para mim é estar cortado ao meio. Falando em escrita, quem me conhece sabe que se eu não escrevesse estaria na penitenciária. Quem certamente conseguiria me conhecer já esta lá. Se não fisicamente, pelo menos, em espírito.
Eu poderia continuar com essa retórica até amanhecer. Fingindo que sou maligno e violento. Enganaria uma boa parte desse mundo. Se não, pelo menos toda essa cidade de Faustões. Mas não me sinto muito integro comigo mesmo fazendo isso. Sei que depois da janela tem uma multidão que não escreve, no entanto, se babam de tanta retórica impregnada nas suas vidas. Como é que sei disso? Leio o jornal de vez em “quase-nunca”. Me sinto mijado nas calças, cagado nas cuecas, quando leio um jornal. Moscas me rodeiam rindo até doer suas barriguinhas verdes de moscas. O engraçado é que fiz isso hoje. Depois tive a decência de tomar quatro banhos. Acho que peguei gripe do jornal. Tossi sangue bem na foto de um colunista. Eu olhei aquelas mentes débil, aquelas frases ensaiadas no espelho do banheiro. Era como uma adolescente que compra uma saia curta para ir a um baile de interior e tragicamente descobre que esta gorda demais, branca demais, chora, a mãe aparece no quarto e diz: Filha deixa de ser criança! Vista esta saia que seus amigos estão te esperando... e ela vai. Agora já estou limpo. Paramos por aqui. Um último lance... Na universidade, no curso de filosofia, um professor me disse: Na escrita filosófica tem de se ter uma preposição, uma proposta para sair da condição que denunciamos. Eu sou um bom aluno. Sério! Então lá vai: Não se matem pessoas dos jornais, apenas queimem a mão na brasa. Aí sim estão aptos para escrever. É claro que não podemos generalizar. Sei que alguns queimaram as mãos na brasa – outros queimaram as mãos dos outros, mas isso é outra história-, mas a desgraça é a regra.
Voltando a falar de inferno e céu, se somos pesados todos os dias para que no fim das contas, no dia do juízo final, Deus nos diga: vai subir...(ou)... vai descer! Se no céu temos de deixar toda nossa maldade para trás – a menor porção que for-, no inferno, pelo menos, podemos levar tudo. Até nossa porção de bondade – por menor porção que for. Ouvi falar, da boca de um espiritista (que já foi prá lá e já voltou e agora pretende ir para lá novamente), que no inferno toca, ininterruptamente, a dança da manivela. Sito: “Tá frio tá quente, tá frio, muito quente”. Que lá rola uma festa. Porém só vai para o inferno veados (e políticos, que é a mesma coisa que veado – só que falam mais e apertam a mão dos outros- de terno), evangélico e pessoas que escrevem de forma análoga a mim. Disse-me o sujeito do predicado, que no céu é parecido. Toca a dança da manivela em versão gospel. Sito: “Tá frio e bom, aleluia, tá frio e tá muito bom”. A diferença gritante é que no céu tem mulheres. Todas velhas, mas tem.
Para concluir – tenho que parar, estou com muita tosse-, antes que alguém se preocupe comigo, furei os tímpanos do meu espírito com um cigarro. E aproveito esse texto para mandar um abraço para o Holing Wolf e o Albert King, no mais, é tudo retórica: “Menos eu, que sou rei e como carne de galinha”.

r.A.- O único culpado do desmatamento na floresta negra.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Em direção ao exterior do bairro, graças a Deus.

Alguns dias atrás eu estava em uma pequena locadora escolhendo alguns filmes quando alguém anunciou um assalto. Porém, o assaltante em exercício, atrapalhou-se com a porta da locadora (que estava entreaberta, prestes a fechar) e presumi eu, na vergonha de falhar como um assaltante, com medo dos possíveis risos das pessoas (embora ele tivesse um revólver na mão), ele fugiu. Continuei lendo a sinopse de um filme ridículo sobre nômades e guerras – não que eu seja um cara fodão que não tem medo de nada, na verdade tive um momento de consciência óbvia: não tinha nenhum dinheiro e apesar da arma, o assaltante, tinha a metade da minha altura e um terço da minha massa corporal- enquanto o dono da locadora, um sujeito baixinho e orelhudo, ligava para a polícia. As pessoas tremiam enquanto um garoto magro , imaginei que não passava dos 7 anos, disse para o seu pai gordinho: Pai, o senhor não teve medo? O pai, que jurei que estava com as calças molhadas (e não tinha chovido naquela noite) olhou profundamente nos olhos do filho e disse: Meu filho! Nós nunca devemos mostrar medo ao perigo. Aprenda essa lição do seu pai! Nunca demonstre medo! Pensei cá no meu canto: Não demonstre, se mije, mas não demonstre o mijo. E as outras pessoas na locadora tiveram um momento comovente – fora eu, que pensava: que raios passaram pela cabeça de um diretor e um grupo de atores para fazer um filme daqueles...-, a primeira que se pôs a falar foi uma evangélica quarentona e enrugada: Ele sentiu é o poder de Deus, por isso fugiu! Que glória! Eu ri no meu canto e pensei (sim, eu penso demais nessas horas inoportunas): Dá próxima vez, pede para Deus evitar que você vire os olhos e ameace desmaiar. No telefone, o dono da locadora passou a descrição do assaltante para a polícia: Ele estava de capacete... Não consegui ver o rosto dele, mas é um cara conhecido... Me pareceu familiar, provavelmente frequenta a locadora... Roupa? Ele usava um casaco preto... De couro... isso, de motoqueiro. Sozinho? Não lembro... (O senhor que dava sua aula para o filho gritou: Dois! Estavam em dois!)... Dois ... Estavam em dois. Que direção tomaram? ( A evangélica disse: para o interior do bairro, graças a Deus)... Tomaram a direção do interior do bairro, graças a Deus...Estavam de moto... DE MOTO... Que moto era? (Essa o cara da locadora sabia responder. Haviam folders de um encontro de moto sob o balcão ao lado do computador...) olha, pelo ronco era uma titã... 96 eu acho... Azul ou preta... (?) Vocês vão vir logo?... EI, VOCÊS VÃO... As pessoas olhavam para o dono da locadora que estava com o telefone na mão. Desligou, ele disse. O dono correu até a porta e trancou-a. Correu de volta para trás do balcão. Sua mulher e assistente estava calma. Parecia mais uma garota que casou muito nova. Baixa e bochechuda. Conferia as unhas que pintara cedo, e agora, roía a tinta. A evangélica rezava. O garoto olhava para o pai com admiração. Eu peguei outro filme e comecei a ler a sinopse. O pai conferia as calças com as mãos. As outras pessoas cochichavam. Alguém bateu na porta. As pessoas se olharam e começaram a tremer mais uma vez. Mas que palhaçada eu achei de um filme sobre cobras mutantes!... Dá próxima vez, peça a seu Deus para que as pessoas parem de fazer filmes burros, pensei enquanto olhava para a evangélica que rezava. O dono da locadora disse: ..q...quem é? – sua voz quase não saiu...- QUEM É? Do outro lado da porta ouvi: Sou eu! – uma voz grossa- Pensei: As pessoas têm certa dificuldade de comunicação...
_é o JOÃO!
_Da empresa de segurança?- o dono da locadora colocou a mão em baixo do balcão, (achei que ele tinha uma arma, mais tarde ele disse que pensava em jogar um pouco de dinheiro no chão e chutar para debaixo do balcão).
Se fosse eu, diria: Não, eu sou assaltante! Voltei para saber do que é que vocês estão rindo cambada! Me dêem mais uma chance que vou mostrar para vocês quem é que vai rir agora! Mas não era eu...
_Sim. O João da empresa de segurança.
Vi o pai gordinho escondido atrás de uma prateleira de filmes de faroeste. Quem diria Clint Eastwood! Ele notou meu olhar. Limpou a garganta: arrum-rum! Com o punho fechado na frente da boca. Ajeitou o terno azul. Mexeu na gravata. Olhou sério para mim com um: A vá! Que que tá olhando para minha demonstração de medo? O filho olhou para o pai. Deve ter pensado: Belo truque pai! É isso mesmo meu herói. Agora esta confundindo todo mundo para dar o bote! Esse é meu pai. Uma jibóia. Rápido como o ataque de uma aranha. Eu pensei: Astuto como uma... galinha? Galinha. Não, estou mentindo. Não pensei dessa vez.
O João entrou em ação. Foi profissional. Assim que destrancada a porta entrou com sua roupa preta e um sorriso de canto de boca. Um cara grande. Um Alemão parecido com um soldado nazista.
_tem café aí?
Enquanto tomava o café olhou todos os cantos da locadora quadrada que não tinha nem um lugar para se esconder... Mas vai saber... E se tivesse um fantasma em um canto? Encarei o Bruce Willis. Ele tinha uma pistola na mão. Um sorriso de desdém. É esse mesmo! Sorri para a morte. Certamente saberia o que fazer numa hora dessas... Saberia até, presumi pelo sorriso, o que pensar numa hora dessas. Peguei o bicho.
_Paga na volta ou agora?
Sorri como o Bruce Willis – quer dizer, eu acho que sorri como ele.
_Na volta!
João prosseguiu com o profissionalismo: Não se preocupe, ele não vai voltar. Se voltar, ligue para esse número. Aconselho você a fechar a locadora! – Que profissional! E eu achando que era o cara porque leio Sartre...- Já ligou para a polícia?
Ah se fosse eu...
_Não! Com uma quarentona que tem contato direto com Deus, um pai mijado, um filósofo que lê Sartre e uma esposa bochechuda... Não preciso de polícia! Disparei o alarme só para te chamar para tomar um café comigo! Olhar os cantos... Ali, veja! Acho que o demônio do filme O exorcista esta sentando tomando café! Sente ali com ele, tome um café, tem café para todo mundo! Aliás, ô papai mijão, ô patroa de Deus, ô leitor de Sartre – como é que alguém se chama Sartre?- sentem ali, sim, eu vou sentar também, vamos tomar café, rezar, ler Sartre, não precisamos de polícia... eu tenho certeza que o assaltante vai voltar e quando ele voltar vamos rir dele, dizer para ele que o ser-para-si não é o mesmo que o ser-em-si, que ele não é onde diz ser, ou seja, o passado, que ele é onde não é, ou seja, o futuro... será uma noitada daquelas!
O dono da locadora desligou as luzes. As pessoas foram saindo. O pai gordinho, de mão dada com o filho tropeçou no tapete da porta. Olhou para mim novamente. Sorri como o Bruce Willis. Desta vez pensei: Astuto como uma galinha! A uma quadra de casa passei pelo carro da polícia. Ainda bem que não foi o Conan que saiu de um filme e começou a decepar cabeças na locadora! Pena que não aluguei O exorcista, eu conseguiria rir disso essa noite. Cheguei em casa. Em direção ao exterior do bairro, graças a Deus.


r.A.

sábado, 3 de julho de 2010

O QUE É A SODOMA H.?

Nota: Esse texto é incompreensível para integrantes de bandas covers do Led Zéppelinho, AC/Meu saco/DC, Black Sabobão, Iron M(P)eidei, Deep Poodle, ou quem pense que isso é o que se deve fazer com a música hoje. Sertanejos universitários (ou na pré-escola ainda) e saveirentos furiosos do cabelinho de gel, certamente não têm o endereço desse blog, e se conseguirem de alguma forma, mesmo não sabendo o que significa a palavra incompreensível, logo saberão.
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=> O restante, que Deus os ajude, para todo sempre, amém.
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.......Com quinze anos, depois de muito ouvir rock e outras coisas mais e achar que esse tipo de música era a salvação para um garoto desajeitado, após encontrar uma revista que falava sobre Nirvana, achei que eu também poderia dar a minha contribuição para a música. Por um ano deixei que minha família arrancasse meu couro (morava no interior) enquanto mendigava um violão e eis que na metade de meus dezesseis anos veio o tão sonhado presente! Aquela coisa que tão pronto me caiu nas mãos tão pronto me dediquei! No início (como morava no interior, onde ninguém ouvia rock) sofri para caramba! Não conseguia entender como é que aquela coisa funcionava. Era um violão barato que mesmo que eu pedisse para alguém afinar para mim, assim que eu conseguia tocar umas duas músicas, aos trancos e barrancos, o violão já estava desafinado... Aí me dediquei a aprender a afiná-lo (continuo me dedicando a isso ainda)... Demorei para reconhecer os sons, era um instrumento ruim! Á propósito, nunca comprem um violão Malaga! Outro problema era que tudo que eu tinha para ouvir era um aparelho velho; junto com ele veio apenas discos com trilhas sonoras de novela - e um amado disco coletânea dos Beatles- onde pouca coisa era o que eu realmente desejava ouvir, mas lá, perdido entre as faixas dos discos eu encontrava Men at work, Queen, Nazareth, Creedence, e uma banda que imagino que sou o único que gosta na cidade: Vanity Fare, que provavelmente era as faixas que eu mais repetia e fazia o esforço de tirar aquelas músicas no meu tosco violão. O céu mesmo foi quando consegui comprar um aparelho de som onde podia gravar músicas da rádio e tocar CDs (que eu comprava, obviamente nos camelos ou vez que outra que cruzava um bazar). Aí eu tinha algumas coisas que passava horas ouvindo e sugando: Red hot chilli pepers, nirvana, ramones e por ai vai. De músicas nacionais eu gostava de algumas poucas, tinha lá comigo que eu poderia fazê-las e achava as letras obvias demais. Mas como todo adolescente eu tinha um disco do Raul Seixas- hehehe! E foi nesses meados que consegui comprar minha primeira guitarra. Meu pai disse: você não precisa ligar esse troço em uma caixa de som? E eu respondi afirmativamente, mas eu não tinha dinheiro suficiente para comprar uma caixa e nos meus cálculos eu levaria muito tempo para conseguir comprar uma. Uma manhã, com um dinheiro sobrando meu pai comprou-me um cubo multi-uso (que inclusive tenho até hoje) e uma pedaleira mixuruca que simulava efeitos. Acho que foi um dos momentos mais felizes da minha vida! Eu tinha uma guitarra de quinta categoria (comprei usada) e um cubo mixuruca e uma pedaleira mixuruca! E minha vida, naquele tempo era aquilo! Quando chegava os fins de semana eu atirava o material escolar em um canto e tocava o máximo que meu corpo pudesse agüentar! Um dia um ex colega da escola de judô (treinei judô dos sete anos de idade até os dezesseis) me parou na rua e começamos a falar de música. Ele me deu a boa notícia que estava aprendendo a tocar bateria e que queria montar uma banda. Foi assim que passamos um sábado tocando uma versão tosca de nothing else matters do Metallica e nos sentimos alguma coisa o resto da semana (Tem bandas na cidade que tocam versões piores e tem gente que ainda paga para ouvir isso - e os músicos se sentem alguma coisa por décadas)! Chamamos para o baixo um cara que vimos tocando em uma banda evangélica na escola e assim começamos a maluquice que é ter uma banda. Demos o nome à banda Hole Smoke, sugestão de outros caras cabeludos que iam ver nossos ensaios - nem sabíamos o que aquilo significava, o inglês básico que adquiri em dois anos ouvindo rock americano me dizia que aquilo significava fumaça sagrada. Mas tarde descobri que isso simbolizava maconha, ai rejeitei o nome, hahahaha- (nada contra usuários de maconha, mas meu gosto requintado denunciava que chamar uma banda de “fumaça de maconha” não tinha muito a ver com as mensagens que queríamos passar) e por aí foi até que surgiu a oportunidade de tocar na escola.
.......Na escola mentimos que éramos uma banda tranqüila de músicas pops. O pavor dos professores quando nos viram tocar Smell Like a Teen Spirit do Nirvana foi indescritível (a escola não era uma escola no centro, onde hoje em dia nem que você finque um pau no cu de um aluno ele se sensibiliza)! Uma semana, depois na escola, os jovens estavam usando camisas de bandas e se emprestando revistas de rock compradas em bancas de jornal! Os jovens da escola em que tocamos já não aceitavam as imposições, montaram um grêmio estudantil onde se via pôsteres de rock nas paredes e na condição de, ou ter um computador na sala do grêmio ou um aparelho de som, escolheram o aparelho de som onde se ouvia rock o dia inteiro! Fui convidado para participar do grêmio estudantil na função de diretor social - Ainda hoje não sei o que isso significa, mas enfim, eu gostava de dizer que era diretor social, no sentido que dei ao cargo, significava que eu podia ficar com as gurias na sala do grêmio-. Outras festas apareceram e devido o pequeno espaço do refeitório - nos apresentávamos em um refeitório - os shows passaram a ser feitos no ginásio de esportes! O mais interessante para mim era quando as pessoas vinham me dizer que nunca viram algo tão diferente como ramones e nirvana! Que simplesmente sentiam vontade de pular e gritar quando nos ouviam tocar essas músicas. A escola se situava em um lugar entre duas agroindústrias (e continua lá, firme e forte, cheirando penas queimas e focinhos de porco queimados), os jovens de séries mais adiantadas ou estavam trabalhando em uma indústria ou na outra, como seus pais. Para eles aquilo que fazíamos na escola era uma espécie de catarse. O punk rock e toda sua política anárquica e combate aos estereótipos lhes servia como uma luva! Transformavam todas as frustrações acumuladas em criatividade, investiam suas energias em ouvir ou tocar música, liam livros na biblioteca porque não queriam ser os alienados que as músicas de punk tanto criticavam. Alguns professores conservadores me criticavam por usar camisetas pretas e calças jeans rasgadas no joelho, sempre que possível levantavam a hipótese de que eu era usuário de drogas. Um problema que eu tinha nos olhos - usava lentes de contato que me irritavam os olhos e por isso eles freqüentemente estavam vermelhos (ainda uso essas malditas lentes)- era motivo para eu ser visto como uma péssima influência. Também tomei por hábito usar uma corrente amarrada nas calças como os punks usavam e isso, para os professores conservadores que me referi a pouco, interpretavam como uma imposição de violência - junto com meu porte avantajado de lutador-, mas eu e meus colegas riamos disso! A respeito de drogas, eu via alguns amigos e colegas usando e não sentia a menor vontade de usá-las (Por favor, peço agora a um estudante de psicologia da Unochapecó que pare de me pedir Ledinha quando me encontrar - se ler isso-, eu não sei fumar maconha e não fumo porque o cheiro me causa náusea)! Mesmo tendo sido o rock e o punk alguns dos movimentos que mais usaram drogas na história da música, tendo desenvolvido meu próprio pensamento, eu sabia a perda de tempo que era ser usuário de drogas nessa velha tentativa de fuga ou de parecer mais legal ou aceito em um grupo. Estas compreensões que eu tinha sobre as drogas eu apresentava para os amigos a minha volta e lembro-me de que nesse período a escola tinha raros casos com drogas. Eu e meus amigos - juntamente com os membros da banda que eram ex- alunos da escola- riamos prontamente de qualquer um que cogitasse usar drogas, o que, como membros de uma banda e, digamos, formadores de opinião entre os jovens e agitadores culturais que éramos, desmerecia a aproximação com as drogas. Enfim, sabíamos como rebater os professores conservadores com boas risadas! Alguns professores ressentidos forjaram com alunos -que também não gostavam muito de nós- associações de alunos que nos criticavam ou tentavam barrar todos nossos projetos de música, arte, campeonatos de esportes, etc... Mas sendo eles sempre minoria e desprovidos da mesma criatividade que possuíamos, acabaram ficando entregues a seus próprios resmungos, enquanto inserimos na escola um grupo de teatro e outro de dança ( os professores de teatro e dança eram alunos da escola que faziam parte do grêmio e que foram, naquele tempo, meus melhores amigos. O que dava aula de dança era homossexual e estar envolvido nesse grupo fazia com que se sentisse protegido, estávamos - os membros do grêmio- prontos para afastar qualquer ideologia homofóbica, racista ou sexista! Conceitos esses que aprendemos com o velho rock n’ roll).
.......Com a chegada do fim de minha estadia na escola e achando que aproveitaria esse meu período de turbulência pensante em uma universidade, me inscrevi no vestibular de filosofia. Como é sabido, vigor de pensamento não é o maior atrativo da cidade de Chapecó, por isso a turma de filosofia quase não fechou! Mas no fim das contas lá estava eu, como um cachorro assustado, freqüentando um espaço imenso, cheio de outros problemas - mas vou me restringir nesse escrito a falar só de música, portanto esse papo fica para outro momento- e assim, lá, com meus dezoito/dezenove anos. estava eu.
........O contato com a escola, que fiz parte, aos poucos foi se perdendo. A banda que tinha (que nesse momento se chamava Platteau e gravou um single não lançado para venda, apenas no rádio - esse single, deve constar, foi executado ao mesmo tempo na rádio local e por um amigo em uma rádio de Portugal- sendo melhor recebido em Portugal do que aqui : engraçado, não é?) se desintegrou por incompatibilidades da vida dos integrantes. Primeiro saiu o baixista (ainda um grande e nobre amigo) o que me apresentou a ideia de mudar a configuração da banda para guitarra e bateria, essa configuração aos poucos foi se adequando a nova proposta (eu nunca tinha ouvido falar de bandas que tivessem essa configuração até aqui - para ver minha ingenuidade musical) e assim fizemos poucas apresentações até eu me deparar com as limitações dessa cidade no que diz respeito a incentivo musical. Vendo que não tinham incentivos para o cenário (que no fundo finge que é um cenário) musical, sugeri o fim da Platteau. Ainda me recordo do dia, o baterista que acabara de se “casar” (juntar-se, seria o termo mais apropriado) estava alimentando os cães em sua casa e quando terminei de dizer que propunha o fim da banda ele me respondeu: eu ia lhe sugerir a mesma coisa! Imagino que contemos algumas lágrimas naquele momento, mas as coisas têm que seguir de alguma forma - imagino que a maior parte dos músicos dessa cidade ainda não derramaram uma lágrima pela música, o que me faz duvidar do caráter deles até hoje- pois assim é que é!
.......Durante algum tempo me restringi à leitura e estudar música nos dias entediantes. Meus dias foram preenchidos principalmente por Schopenhauer, Nietzsche, Freud, Fante, Bukowski, Pessoa, Little Waters, Otis Rush, Rimbaud, Foucault, Bakunin, Bey, Agamben, Lacan, Sartre, Heidegger, Reyes, Cioran, Gogh, Goya, Free Box vermelho, Café, Cerveja, Tomates, Mulheres, Beuys, Fluxus, Ratos de porão, Replicantes, Camisa de Vênus, Howlin Wolf, Age of empires, Tolkien, Três empregos, cinema, bares, Duas trocas de lentes e novos exames de ceratocone, Radiohead, Fluoxetina por um tempo - até achar inútil-, Caminhadas noturnas, Escritos que joguei fora, Pelbart, Pumpkins, Rancière, Aulas na universidade (essas são as coisas que me recordo no momento) e algumas músicas compostas e armazenadas na cabeça.
.......Foi por aí que um amigo de infância (André Romanoski - que provavelmente tem uma história musical tão longa como a minha- “um sem vergonha de um baterista”), depois de um improviso de guitarra e bateria, fruto de uma brincadeira sem projeto chamada Sodoma (onde tocávamos punks e coisas que estávamos afim, com a presença de outro amigo chamado Jader, - na verdade uma desculpa para nos encontrarmos e bebermos e desabafarmos) aceitou de adotarmos as músicas da Platteau e outras novas que eu havia composto e montar a Sodoma H. (“H” de hematófago- animais que se alimentam de sangue). A configuração ficou guitarra, vocal, bateria (nesse momento eu já sabia que existiam outras bandas de formatos semelhantes que obviamente fui estudá-las) - pelo menos até a banda sobreviver-, o projeto foi discutido exaustivamente, lançamos fora a maior parte das músicas que não passavam de desabafos e ladainhas. Estudamos o máximo possível para juntar uma sonoridade grunge, punk, blues com outras coisas que nós mesmos inventamos e nem se quer conseguimos nomear. Lapidamos isso para não cair naquela ladainha de bandas ditas contemporâneas que fazem uma verdadeira salada de coisas para engrandecer e dizer por ai que tem milhões de elementos. Intensificamos o sentido não sincronizado (que para quem não sabe é isso que tem a ver com contemporâneo na música e não colagens de cinema, teatro, literatura: basta lembrar de Richard Wagner, na música clássica moderna) ao mesmo tempo em que olhamos para o escuro de nos mesmos e nosso tempo, enfim, tocamos até sumir e dar lugar a uma única coisa: Um poema! Aos que já viram a Sodoma H. agindo, bem, saberão quando isso acontece... Nos livramos do saudosismo do rock, pratica visível em bandas que nem se consegue distinguir os “covers” das músicas próprias - isso quando tem músicas próprias para mostrar, ha um grupo que se apresenta sem nem ter músicas próprias, contraditório? Paguem e vejam se tiverem um tempinho para perder!- e apostamos apenas nisso, no poema.
.......Para encerrar agora - imagino que grande parte já torrou o saco de ler tanto, mas garanto-lhes que foi intensional- o motivo para mim ter lhes contado toda essa história é que as vezes sinto que algumas pessoas esquecem que somos algo que rasga em farrapos as limitações. Coloquei uma parte de minha história particular nesse texto para que esses que esquecem - ou talvez não saibam ainda o que somos, ou o que, quem, eu sou- de nossas pretensões não pensem que não estamos atentos a forma como nos olham ou como nos julgam. Digo principalmente a outros projetos ou bandas ou saudosismos do rock, que não pensem que não sabemos o que vocês estão fazendo e como estão fazendo. E vou finalizar como o velho Buk no “O capitão saiu e os marinheiros tomaram conta do navio”, prestem atenção! Na primeira vez que a Sodoma H. foi se apresentar recebi um “conselho” de um integrante da extinta banda (não há problemas em citá-la, não é falta de ética e tome no... quem pensa que é) Diabo à Quatro . Esse sujeito me disse: “_Vocês tem que tocar um som para a galera curtir. As pessoas não saem de casa para pensar, saem para se entreter, se divertir! Esse negócio de mudar o mundo não dá em nada, não tá com nada!” Tempos depois eu vi essa banda tocando em uma festa da psicologia, letras e artes visuais (a tchurma bacharelado) da unochapecó - É óbvio que não foram às melhores turmas da unochapecó- e os achei horríveis! Não tinham nenhuma proposta tal qual aqueles acadêmicos que ali estavam reunidos (sim, nem eu tinha proposta aquela noite) Naquela época eu me limitei a fazer o que sabia fazer na Sodoma H. e não respondi esse cidadão, mas agora -hehehe- eu respondo: FODA-SE CARA! Continuamos sendo a SODOMA H. e continuamos fazendo as pessoas pensar e sentir! E vocês já eram!
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É muito bom poder dizer isso! Hehehehehe!
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r.A.- VOCALISTA E GUITARRISTA DA BANDA SODOMA H. (Escrevi gritando)
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ps: Para quem não leu até o fim, perdeu esse maravilhoso final!