Alguns dias atrás eu estava em uma pequena locadora escolhendo alguns filmes quando alguém anunciou um assalto. Porém, o assaltante em exercício, atrapalhou-se com a porta da locadora (que estava entreaberta, prestes a fechar) e presumi eu, na vergonha de falhar como um assaltante, com medo dos possíveis risos das pessoas (embora ele tivesse um revólver na mão), ele fugiu. Continuei lendo a sinopse de um filme ridículo sobre nômades e guerras – não que eu seja um cara fodão que não tem medo de nada, na verdade tive um momento de consciência óbvia: não tinha nenhum dinheiro e apesar da arma, o assaltante, tinha a metade da minha altura e um terço da minha massa corporal- enquanto o dono da locadora, um sujeito baixinho e orelhudo, ligava para a polícia. As pessoas tremiam enquanto um garoto magro , imaginei que não passava dos 7 anos, disse para o seu pai gordinho: Pai, o senhor não teve medo? O pai, que jurei que estava com as calças molhadas (e não tinha chovido naquela noite) olhou profundamente nos olhos do filho e disse: Meu filho! Nós nunca devemos mostrar medo ao perigo. Aprenda essa lição do seu pai! Nunca demonstre medo! Pensei cá no meu canto: Não demonstre, se mije, mas não demonstre o mijo. E as outras pessoas na locadora tiveram um momento comovente – fora eu, que pensava: que raios passaram pela cabeça de um diretor e um grupo de atores para fazer um filme daqueles...-, a primeira que se pôs a falar foi uma evangélica quarentona e enrugada: Ele sentiu é o poder de Deus, por isso fugiu! Que glória! Eu ri no meu canto e pensei (sim, eu penso demais nessas horas inoportunas): Dá próxima vez, pede para Deus evitar que você vire os olhos e ameace desmaiar. No telefone, o dono da locadora passou a descrição do assaltante para a polícia: Ele estava de capacete... Não consegui ver o rosto dele, mas é um cara conhecido... Me pareceu familiar, provavelmente frequenta a locadora... Roupa? Ele usava um casaco preto... De couro... isso, de motoqueiro. Sozinho? Não lembro... (O senhor que dava sua aula para o filho gritou: Dois! Estavam em dois!)... Dois ... Estavam em dois. Que direção tomaram? ( A evangélica disse: para o interior do bairro, graças a Deus)... Tomaram a direção do interior do bairro, graças a Deus...Estavam de moto... DE MOTO... Que moto era? (Essa o cara da locadora sabia responder. Haviam folders de um encontro de moto sob o balcão ao lado do computador...) olha, pelo ronco era uma titã... 96 eu acho... Azul ou preta... (?) Vocês vão vir logo?... EI, VOCÊS VÃO... As pessoas olhavam para o dono da locadora que estava com o telefone na mão. Desligou, ele disse. O dono correu até a porta e trancou-a. Correu de volta para trás do balcão. Sua mulher e assistente estava calma. Parecia mais uma garota que casou muito nova. Baixa e bochechuda. Conferia as unhas que pintara cedo, e agora, roía a tinta. A evangélica rezava. O garoto olhava para o pai com admiração. Eu peguei outro filme e comecei a ler a sinopse. O pai conferia as calças com as mãos. As outras pessoas cochichavam. Alguém bateu na porta. As pessoas se olharam e começaram a tremer mais uma vez. Mas que palhaçada eu achei de um filme sobre cobras mutantes!... Dá próxima vez, peça a seu Deus para que as pessoas parem de fazer filmes burros, pensei enquanto olhava para a evangélica que rezava. O dono da locadora disse: ..q...quem é? – sua voz quase não saiu...- QUEM É? Do outro lado da porta ouvi: Sou eu! – uma voz grossa- Pensei: As pessoas têm certa dificuldade de comunicação...
_é o JOÃO!
_Da empresa de segurança?- o dono da locadora colocou a mão em baixo do balcão, (achei que ele tinha uma arma, mais tarde ele disse que pensava em jogar um pouco de dinheiro no chão e chutar para debaixo do balcão).
Se fosse eu, diria: Não, eu sou assaltante! Voltei para saber do que é que vocês estão rindo cambada! Me dêem mais uma chance que vou mostrar para vocês quem é que vai rir agora! Mas não era eu...
_Sim. O João da empresa de segurança.
Vi o pai gordinho escondido atrás de uma prateleira de filmes de faroeste. Quem diria Clint Eastwood! Ele notou meu olhar. Limpou a garganta: arrum-rum! Com o punho fechado na frente da boca. Ajeitou o terno azul. Mexeu na gravata. Olhou sério para mim com um: A vá! Que que tá olhando para minha demonstração de medo? O filho olhou para o pai. Deve ter pensado: Belo truque pai! É isso mesmo meu herói. Agora esta confundindo todo mundo para dar o bote! Esse é meu pai. Uma jibóia. Rápido como o ataque de uma aranha. Eu pensei: Astuto como uma... galinha? Galinha. Não, estou mentindo. Não pensei dessa vez.
O João entrou em ação. Foi profissional. Assim que destrancada a porta entrou com sua roupa preta e um sorriso de canto de boca. Um cara grande. Um Alemão parecido com um soldado nazista.
_tem café aí?
Enquanto tomava o café olhou todos os cantos da locadora quadrada que não tinha nem um lugar para se esconder... Mas vai saber... E se tivesse um fantasma em um canto? Encarei o Bruce Willis. Ele tinha uma pistola na mão. Um sorriso de desdém. É esse mesmo! Sorri para a morte. Certamente saberia o que fazer numa hora dessas... Saberia até, presumi pelo sorriso, o que pensar numa hora dessas. Peguei o bicho.
_Paga na volta ou agora?
Sorri como o Bruce Willis – quer dizer, eu acho que sorri como ele.
_Na volta!
João prosseguiu com o profissionalismo: Não se preocupe, ele não vai voltar. Se voltar, ligue para esse número. Aconselho você a fechar a locadora! – Que profissional! E eu achando que era o cara porque leio Sartre...- Já ligou para a polícia?
Ah se fosse eu...
_Não! Com uma quarentona que tem contato direto com Deus, um pai mijado, um filósofo que lê Sartre e uma esposa bochechuda... Não preciso de polícia! Disparei o alarme só para te chamar para tomar um café comigo! Olhar os cantos... Ali, veja! Acho que o demônio do filme O exorcista esta sentando tomando café! Sente ali com ele, tome um café, tem café para todo mundo! Aliás, ô papai mijão, ô patroa de Deus, ô leitor de Sartre – como é que alguém se chama Sartre?- sentem ali, sim, eu vou sentar também, vamos tomar café, rezar, ler Sartre, não precisamos de polícia... eu tenho certeza que o assaltante vai voltar e quando ele voltar vamos rir dele, dizer para ele que o ser-para-si não é o mesmo que o ser-em-si, que ele não é onde diz ser, ou seja, o passado, que ele é onde não é, ou seja, o futuro... será uma noitada daquelas!
O dono da locadora desligou as luzes. As pessoas foram saindo. O pai gordinho, de mão dada com o filho tropeçou no tapete da porta. Olhou para mim novamente. Sorri como o Bruce Willis. Desta vez pensei: Astuto como uma galinha! A uma quadra de casa passei pelo carro da polícia. Ainda bem que não foi o Conan que saiu de um filme e começou a decepar cabeças na locadora! Pena que não aluguei O exorcista, eu conseguiria rir disso essa noite. Cheguei em casa. Em direção ao exterior do bairro, graças a Deus.
r.A.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
O QUE É A SODOMA H.?
Nota: Esse texto é incompreensível para integrantes de bandas covers do Led Zéppelinho, AC/Meu saco/DC, Black Sabobão, Iron M(P)eidei, Deep Poodle, ou quem pense que isso é o que se deve fazer com a música hoje. Sertanejos universitários (ou na pré-escola ainda) e saveirentos furiosos do cabelinho de gel, certamente não têm o endereço desse blog, e se conseguirem de alguma forma, mesmo não sabendo o que significa a palavra incompreensível, logo saberão.
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=> O restante, que Deus os ajude, para todo sempre, amém.
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.......Com quinze anos, depois de muito ouvir rock e outras coisas mais e achar que esse tipo de música era a salvação para um garoto desajeitado, após encontrar uma revista que falava sobre Nirvana, achei que eu também poderia dar a minha contribuição para a música. Por um ano deixei que minha família arrancasse meu couro (morava no interior) enquanto mendigava um violão e eis que na metade de meus dezesseis anos veio o tão sonhado presente! Aquela coisa que tão pronto me caiu nas mãos tão pronto me dediquei! No início (como morava no interior, onde ninguém ouvia rock) sofri para caramba! Não conseguia entender como é que aquela coisa funcionava. Era um violão barato que mesmo que eu pedisse para alguém afinar para mim, assim que eu conseguia tocar umas duas músicas, aos trancos e barrancos, o violão já estava desafinado... Aí me dediquei a aprender a afiná-lo (continuo me dedicando a isso ainda)... Demorei para reconhecer os sons, era um instrumento ruim! Á propósito, nunca comprem um violão Malaga! Outro problema era que tudo que eu tinha para ouvir era um aparelho velho; junto com ele veio apenas discos com trilhas sonoras de novela - e um amado disco coletânea dos Beatles- onde pouca coisa era o que eu realmente desejava ouvir, mas lá, perdido entre as faixas dos discos eu encontrava Men at work, Queen, Nazareth, Creedence, e uma banda que imagino que sou o único que gosta na cidade: Vanity Fare, que provavelmente era as faixas que eu mais repetia e fazia o esforço de tirar aquelas músicas no meu tosco violão. O céu mesmo foi quando consegui comprar um aparelho de som onde podia gravar músicas da rádio e tocar CDs (que eu comprava, obviamente nos camelos ou vez que outra que cruzava um bazar). Aí eu tinha algumas coisas que passava horas ouvindo e sugando: Red hot chilli pepers, nirvana, ramones e por ai vai. De músicas nacionais eu gostava de algumas poucas, tinha lá comigo que eu poderia fazê-las e achava as letras obvias demais. Mas como todo adolescente eu tinha um disco do Raul Seixas- hehehe! E foi nesses meados que consegui comprar minha primeira guitarra. Meu pai disse: você não precisa ligar esse troço em uma caixa de som? E eu respondi afirmativamente, mas eu não tinha dinheiro suficiente para comprar uma caixa e nos meus cálculos eu levaria muito tempo para conseguir comprar uma. Uma manhã, com um dinheiro sobrando meu pai comprou-me um cubo multi-uso (que inclusive tenho até hoje) e uma pedaleira mixuruca que simulava efeitos. Acho que foi um dos momentos mais felizes da minha vida! Eu tinha uma guitarra de quinta categoria (comprei usada) e um cubo mixuruca e uma pedaleira mixuruca! E minha vida, naquele tempo era aquilo! Quando chegava os fins de semana eu atirava o material escolar em um canto e tocava o máximo que meu corpo pudesse agüentar! Um dia um ex colega da escola de judô (treinei judô dos sete anos de idade até os dezesseis) me parou na rua e começamos a falar de música. Ele me deu a boa notícia que estava aprendendo a tocar bateria e que queria montar uma banda. Foi assim que passamos um sábado tocando uma versão tosca de nothing else matters do Metallica e nos sentimos alguma coisa o resto da semana (Tem bandas na cidade que tocam versões piores e tem gente que ainda paga para ouvir isso - e os músicos se sentem alguma coisa por décadas)! Chamamos para o baixo um cara que vimos tocando em uma banda evangélica na escola e assim começamos a maluquice que é ter uma banda. Demos o nome à banda Hole Smoke, sugestão de outros caras cabeludos que iam ver nossos ensaios - nem sabíamos o que aquilo significava, o inglês básico que adquiri em dois anos ouvindo rock americano me dizia que aquilo significava fumaça sagrada. Mas tarde descobri que isso simbolizava maconha, ai rejeitei o nome, hahahaha- (nada contra usuários de maconha, mas meu gosto requintado denunciava que chamar uma banda de “fumaça de maconha” não tinha muito a ver com as mensagens que queríamos passar) e por aí foi até que surgiu a oportunidade de tocar na escola.
.......Na escola mentimos que éramos uma banda tranqüila de músicas pops. O pavor dos professores quando nos viram tocar Smell Like a Teen Spirit do Nirvana foi indescritível (a escola não era uma escola no centro, onde hoje em dia nem que você finque um pau no cu de um aluno ele se sensibiliza)! Uma semana, depois na escola, os jovens estavam usando camisas de bandas e se emprestando revistas de rock compradas em bancas de jornal! Os jovens da escola em que tocamos já não aceitavam as imposições, montaram um grêmio estudantil onde se via pôsteres de rock nas paredes e na condição de, ou ter um computador na sala do grêmio ou um aparelho de som, escolheram o aparelho de som onde se ouvia rock o dia inteiro! Fui convidado para participar do grêmio estudantil na função de diretor social - Ainda hoje não sei o que isso significa, mas enfim, eu gostava de dizer que era diretor social, no sentido que dei ao cargo, significava que eu podia ficar com as gurias na sala do grêmio-. Outras festas apareceram e devido o pequeno espaço do refeitório - nos apresentávamos em um refeitório - os shows passaram a ser feitos no ginásio de esportes! O mais interessante para mim era quando as pessoas vinham me dizer que nunca viram algo tão diferente como ramones e nirvana! Que simplesmente sentiam vontade de pular e gritar quando nos ouviam tocar essas músicas. A escola se situava em um lugar entre duas agroindústrias (e continua lá, firme e forte, cheirando penas queimas e focinhos de porco queimados), os jovens de séries mais adiantadas ou estavam trabalhando em uma indústria ou na outra, como seus pais. Para eles aquilo que fazíamos na escola era uma espécie de catarse. O punk rock e toda sua política anárquica e combate aos estereótipos lhes servia como uma luva! Transformavam todas as frustrações acumuladas em criatividade, investiam suas energias em ouvir ou tocar música, liam livros na biblioteca porque não queriam ser os alienados que as músicas de punk tanto criticavam. Alguns professores conservadores me criticavam por usar camisetas pretas e calças jeans rasgadas no joelho, sempre que possível levantavam a hipótese de que eu era usuário de drogas. Um problema que eu tinha nos olhos - usava lentes de contato que me irritavam os olhos e por isso eles freqüentemente estavam vermelhos (ainda uso essas malditas lentes)- era motivo para eu ser visto como uma péssima influência. Também tomei por hábito usar uma corrente amarrada nas calças como os punks usavam e isso, para os professores conservadores que me referi a pouco, interpretavam como uma imposição de violência - junto com meu porte avantajado de lutador-, mas eu e meus colegas riamos disso! A respeito de drogas, eu via alguns amigos e colegas usando e não sentia a menor vontade de usá-las (Por favor, peço agora a um estudante de psicologia da Unochapecó que pare de me pedir Ledinha quando me encontrar - se ler isso-, eu não sei fumar maconha e não fumo porque o cheiro me causa náusea)! Mesmo tendo sido o rock e o punk alguns dos movimentos que mais usaram drogas na história da música, tendo desenvolvido meu próprio pensamento, eu sabia a perda de tempo que era ser usuário de drogas nessa velha tentativa de fuga ou de parecer mais legal ou aceito em um grupo. Estas compreensões que eu tinha sobre as drogas eu apresentava para os amigos a minha volta e lembro-me de que nesse período a escola tinha raros casos com drogas. Eu e meus amigos - juntamente com os membros da banda que eram ex- alunos da escola- riamos prontamente de qualquer um que cogitasse usar drogas, o que, como membros de uma banda e, digamos, formadores de opinião entre os jovens e agitadores culturais que éramos, desmerecia a aproximação com as drogas. Enfim, sabíamos como rebater os professores conservadores com boas risadas! Alguns professores ressentidos forjaram com alunos -que também não gostavam muito de nós- associações de alunos que nos criticavam ou tentavam barrar todos nossos projetos de música, arte, campeonatos de esportes, etc... Mas sendo eles sempre minoria e desprovidos da mesma criatividade que possuíamos, acabaram ficando entregues a seus próprios resmungos, enquanto inserimos na escola um grupo de teatro e outro de dança ( os professores de teatro e dança eram alunos da escola que faziam parte do grêmio e que foram, naquele tempo, meus melhores amigos. O que dava aula de dança era homossexual e estar envolvido nesse grupo fazia com que se sentisse protegido, estávamos - os membros do grêmio- prontos para afastar qualquer ideologia homofóbica, racista ou sexista! Conceitos esses que aprendemos com o velho rock n’ roll).
.......Com a chegada do fim de minha estadia na escola e achando que aproveitaria esse meu período de turbulência pensante em uma universidade, me inscrevi no vestibular de filosofia. Como é sabido, vigor de pensamento não é o maior atrativo da cidade de Chapecó, por isso a turma de filosofia quase não fechou! Mas no fim das contas lá estava eu, como um cachorro assustado, freqüentando um espaço imenso, cheio de outros problemas - mas vou me restringir nesse escrito a falar só de música, portanto esse papo fica para outro momento- e assim, lá, com meus dezoito/dezenove anos. estava eu.
........O contato com a escola, que fiz parte, aos poucos foi se perdendo. A banda que tinha (que nesse momento se chamava Platteau e gravou um single não lançado para venda, apenas no rádio - esse single, deve constar, foi executado ao mesmo tempo na rádio local e por um amigo em uma rádio de Portugal- sendo melhor recebido em Portugal do que aqui : engraçado, não é?) se desintegrou por incompatibilidades da vida dos integrantes. Primeiro saiu o baixista (ainda um grande e nobre amigo) o que me apresentou a ideia de mudar a configuração da banda para guitarra e bateria, essa configuração aos poucos foi se adequando a nova proposta (eu nunca tinha ouvido falar de bandas que tivessem essa configuração até aqui - para ver minha ingenuidade musical) e assim fizemos poucas apresentações até eu me deparar com as limitações dessa cidade no que diz respeito a incentivo musical. Vendo que não tinham incentivos para o cenário (que no fundo finge que é um cenário) musical, sugeri o fim da Platteau. Ainda me recordo do dia, o baterista que acabara de se “casar” (juntar-se, seria o termo mais apropriado) estava alimentando os cães em sua casa e quando terminei de dizer que propunha o fim da banda ele me respondeu: eu ia lhe sugerir a mesma coisa! Imagino que contemos algumas lágrimas naquele momento, mas as coisas têm que seguir de alguma forma - imagino que a maior parte dos músicos dessa cidade ainda não derramaram uma lágrima pela música, o que me faz duvidar do caráter deles até hoje- pois assim é que é!
.......Durante algum tempo me restringi à leitura e estudar música nos dias entediantes. Meus dias foram preenchidos principalmente por Schopenhauer, Nietzsche, Freud, Fante, Bukowski, Pessoa, Little Waters, Otis Rush, Rimbaud, Foucault, Bakunin, Bey, Agamben, Lacan, Sartre, Heidegger, Reyes, Cioran, Gogh, Goya, Free Box vermelho, Café, Cerveja, Tomates, Mulheres, Beuys, Fluxus, Ratos de porão, Replicantes, Camisa de Vênus, Howlin Wolf, Age of empires, Tolkien, Três empregos, cinema, bares, Duas trocas de lentes e novos exames de ceratocone, Radiohead, Fluoxetina por um tempo - até achar inútil-, Caminhadas noturnas, Escritos que joguei fora, Pelbart, Pumpkins, Rancière, Aulas na universidade (essas são as coisas que me recordo no momento) e algumas músicas compostas e armazenadas na cabeça.
.......Foi por aí que um amigo de infância (André Romanoski - que provavelmente tem uma história musical tão longa como a minha- “um sem vergonha de um baterista”), depois de um improviso de guitarra e bateria, fruto de uma brincadeira sem projeto chamada Sodoma (onde tocávamos punks e coisas que estávamos afim, com a presença de outro amigo chamado Jader, - na verdade uma desculpa para nos encontrarmos e bebermos e desabafarmos) aceitou de adotarmos as músicas da Platteau e outras novas que eu havia composto e montar a Sodoma H. (“H” de hematófago- animais que se alimentam de sangue). A configuração ficou guitarra, vocal, bateria (nesse momento eu já sabia que existiam outras bandas de formatos semelhantes que obviamente fui estudá-las) - pelo menos até a banda sobreviver-, o projeto foi discutido exaustivamente, lançamos fora a maior parte das músicas que não passavam de desabafos e ladainhas. Estudamos o máximo possível para juntar uma sonoridade grunge, punk, blues com outras coisas que nós mesmos inventamos e nem se quer conseguimos nomear. Lapidamos isso para não cair naquela ladainha de bandas ditas contemporâneas que fazem uma verdadeira salada de coisas para engrandecer e dizer por ai que tem milhões de elementos. Intensificamos o sentido não sincronizado (que para quem não sabe é isso que tem a ver com contemporâneo na música e não colagens de cinema, teatro, literatura: basta lembrar de Richard Wagner, na música clássica moderna) ao mesmo tempo em que olhamos para o escuro de nos mesmos e nosso tempo, enfim, tocamos até sumir e dar lugar a uma única coisa: Um poema! Aos que já viram a Sodoma H. agindo, bem, saberão quando isso acontece... Nos livramos do saudosismo do rock, pratica visível em bandas que nem se consegue distinguir os “covers” das músicas próprias - isso quando tem músicas próprias para mostrar, ha um grupo que se apresenta sem nem ter músicas próprias, contraditório? Paguem e vejam se tiverem um tempinho para perder!- e apostamos apenas nisso, no poema.
.......Para encerrar agora - imagino que grande parte já torrou o saco de ler tanto, mas garanto-lhes que foi intensional- o motivo para mim ter lhes contado toda essa história é que as vezes sinto que algumas pessoas esquecem que somos algo que rasga em farrapos as limitações. Coloquei uma parte de minha história particular nesse texto para que esses que esquecem - ou talvez não saibam ainda o que somos, ou o que, quem, eu sou- de nossas pretensões não pensem que não estamos atentos a forma como nos olham ou como nos julgam. Digo principalmente a outros projetos ou bandas ou saudosismos do rock, que não pensem que não sabemos o que vocês estão fazendo e como estão fazendo. E vou finalizar como o velho Buk no “O capitão saiu e os marinheiros tomaram conta do navio”, prestem atenção! Na primeira vez que a Sodoma H. foi se apresentar recebi um “conselho” de um integrante da extinta banda (não há problemas em citá-la, não é falta de ética e tome no... quem pensa que é) Diabo à Quatro . Esse sujeito me disse: “_Vocês tem que tocar um som para a galera curtir. As pessoas não saem de casa para pensar, saem para se entreter, se divertir! Esse negócio de mudar o mundo não dá em nada, não tá com nada!” Tempos depois eu vi essa banda tocando em uma festa da psicologia, letras e artes visuais (a tchurma bacharelado) da unochapecó - É óbvio que não foram às melhores turmas da unochapecó- e os achei horríveis! Não tinham nenhuma proposta tal qual aqueles acadêmicos que ali estavam reunidos (sim, nem eu tinha proposta aquela noite) Naquela época eu me limitei a fazer o que sabia fazer na Sodoma H. e não respondi esse cidadão, mas agora -hehehe- eu respondo: FODA-SE CARA! Continuamos sendo a SODOMA H. e continuamos fazendo as pessoas pensar e sentir! E vocês já eram!
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É muito bom poder dizer isso! Hehehehehe!
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r.A.- VOCALISTA E GUITARRISTA DA BANDA SODOMA H. (Escrevi gritando)
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ps: Para quem não leu até o fim, perdeu esse maravilhoso final!
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=> O restante, que Deus os ajude, para todo sempre, amém.
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.......Com quinze anos, depois de muito ouvir rock e outras coisas mais e achar que esse tipo de música era a salvação para um garoto desajeitado, após encontrar uma revista que falava sobre Nirvana, achei que eu também poderia dar a minha contribuição para a música. Por um ano deixei que minha família arrancasse meu couro (morava no interior) enquanto mendigava um violão e eis que na metade de meus dezesseis anos veio o tão sonhado presente! Aquela coisa que tão pronto me caiu nas mãos tão pronto me dediquei! No início (como morava no interior, onde ninguém ouvia rock) sofri para caramba! Não conseguia entender como é que aquela coisa funcionava. Era um violão barato que mesmo que eu pedisse para alguém afinar para mim, assim que eu conseguia tocar umas duas músicas, aos trancos e barrancos, o violão já estava desafinado... Aí me dediquei a aprender a afiná-lo (continuo me dedicando a isso ainda)... Demorei para reconhecer os sons, era um instrumento ruim! Á propósito, nunca comprem um violão Malaga! Outro problema era que tudo que eu tinha para ouvir era um aparelho velho; junto com ele veio apenas discos com trilhas sonoras de novela - e um amado disco coletânea dos Beatles- onde pouca coisa era o que eu realmente desejava ouvir, mas lá, perdido entre as faixas dos discos eu encontrava Men at work, Queen, Nazareth, Creedence, e uma banda que imagino que sou o único que gosta na cidade: Vanity Fare, que provavelmente era as faixas que eu mais repetia e fazia o esforço de tirar aquelas músicas no meu tosco violão. O céu mesmo foi quando consegui comprar um aparelho de som onde podia gravar músicas da rádio e tocar CDs (que eu comprava, obviamente nos camelos ou vez que outra que cruzava um bazar). Aí eu tinha algumas coisas que passava horas ouvindo e sugando: Red hot chilli pepers, nirvana, ramones e por ai vai. De músicas nacionais eu gostava de algumas poucas, tinha lá comigo que eu poderia fazê-las e achava as letras obvias demais. Mas como todo adolescente eu tinha um disco do Raul Seixas- hehehe! E foi nesses meados que consegui comprar minha primeira guitarra. Meu pai disse: você não precisa ligar esse troço em uma caixa de som? E eu respondi afirmativamente, mas eu não tinha dinheiro suficiente para comprar uma caixa e nos meus cálculos eu levaria muito tempo para conseguir comprar uma. Uma manhã, com um dinheiro sobrando meu pai comprou-me um cubo multi-uso (que inclusive tenho até hoje) e uma pedaleira mixuruca que simulava efeitos. Acho que foi um dos momentos mais felizes da minha vida! Eu tinha uma guitarra de quinta categoria (comprei usada) e um cubo mixuruca e uma pedaleira mixuruca! E minha vida, naquele tempo era aquilo! Quando chegava os fins de semana eu atirava o material escolar em um canto e tocava o máximo que meu corpo pudesse agüentar! Um dia um ex colega da escola de judô (treinei judô dos sete anos de idade até os dezesseis) me parou na rua e começamos a falar de música. Ele me deu a boa notícia que estava aprendendo a tocar bateria e que queria montar uma banda. Foi assim que passamos um sábado tocando uma versão tosca de nothing else matters do Metallica e nos sentimos alguma coisa o resto da semana (Tem bandas na cidade que tocam versões piores e tem gente que ainda paga para ouvir isso - e os músicos se sentem alguma coisa por décadas)! Chamamos para o baixo um cara que vimos tocando em uma banda evangélica na escola e assim começamos a maluquice que é ter uma banda. Demos o nome à banda Hole Smoke, sugestão de outros caras cabeludos que iam ver nossos ensaios - nem sabíamos o que aquilo significava, o inglês básico que adquiri em dois anos ouvindo rock americano me dizia que aquilo significava fumaça sagrada. Mas tarde descobri que isso simbolizava maconha, ai rejeitei o nome, hahahaha- (nada contra usuários de maconha, mas meu gosto requintado denunciava que chamar uma banda de “fumaça de maconha” não tinha muito a ver com as mensagens que queríamos passar) e por aí foi até que surgiu a oportunidade de tocar na escola.
.......Na escola mentimos que éramos uma banda tranqüila de músicas pops. O pavor dos professores quando nos viram tocar Smell Like a Teen Spirit do Nirvana foi indescritível (a escola não era uma escola no centro, onde hoje em dia nem que você finque um pau no cu de um aluno ele se sensibiliza)! Uma semana, depois na escola, os jovens estavam usando camisas de bandas e se emprestando revistas de rock compradas em bancas de jornal! Os jovens da escola em que tocamos já não aceitavam as imposições, montaram um grêmio estudantil onde se via pôsteres de rock nas paredes e na condição de, ou ter um computador na sala do grêmio ou um aparelho de som, escolheram o aparelho de som onde se ouvia rock o dia inteiro! Fui convidado para participar do grêmio estudantil na função de diretor social - Ainda hoje não sei o que isso significa, mas enfim, eu gostava de dizer que era diretor social, no sentido que dei ao cargo, significava que eu podia ficar com as gurias na sala do grêmio-. Outras festas apareceram e devido o pequeno espaço do refeitório - nos apresentávamos em um refeitório - os shows passaram a ser feitos no ginásio de esportes! O mais interessante para mim era quando as pessoas vinham me dizer que nunca viram algo tão diferente como ramones e nirvana! Que simplesmente sentiam vontade de pular e gritar quando nos ouviam tocar essas músicas. A escola se situava em um lugar entre duas agroindústrias (e continua lá, firme e forte, cheirando penas queimas e focinhos de porco queimados), os jovens de séries mais adiantadas ou estavam trabalhando em uma indústria ou na outra, como seus pais. Para eles aquilo que fazíamos na escola era uma espécie de catarse. O punk rock e toda sua política anárquica e combate aos estereótipos lhes servia como uma luva! Transformavam todas as frustrações acumuladas em criatividade, investiam suas energias em ouvir ou tocar música, liam livros na biblioteca porque não queriam ser os alienados que as músicas de punk tanto criticavam. Alguns professores conservadores me criticavam por usar camisetas pretas e calças jeans rasgadas no joelho, sempre que possível levantavam a hipótese de que eu era usuário de drogas. Um problema que eu tinha nos olhos - usava lentes de contato que me irritavam os olhos e por isso eles freqüentemente estavam vermelhos (ainda uso essas malditas lentes)- era motivo para eu ser visto como uma péssima influência. Também tomei por hábito usar uma corrente amarrada nas calças como os punks usavam e isso, para os professores conservadores que me referi a pouco, interpretavam como uma imposição de violência - junto com meu porte avantajado de lutador-, mas eu e meus colegas riamos disso! A respeito de drogas, eu via alguns amigos e colegas usando e não sentia a menor vontade de usá-las (Por favor, peço agora a um estudante de psicologia da Unochapecó que pare de me pedir Ledinha quando me encontrar - se ler isso-, eu não sei fumar maconha e não fumo porque o cheiro me causa náusea)! Mesmo tendo sido o rock e o punk alguns dos movimentos que mais usaram drogas na história da música, tendo desenvolvido meu próprio pensamento, eu sabia a perda de tempo que era ser usuário de drogas nessa velha tentativa de fuga ou de parecer mais legal ou aceito em um grupo. Estas compreensões que eu tinha sobre as drogas eu apresentava para os amigos a minha volta e lembro-me de que nesse período a escola tinha raros casos com drogas. Eu e meus amigos - juntamente com os membros da banda que eram ex- alunos da escola- riamos prontamente de qualquer um que cogitasse usar drogas, o que, como membros de uma banda e, digamos, formadores de opinião entre os jovens e agitadores culturais que éramos, desmerecia a aproximação com as drogas. Enfim, sabíamos como rebater os professores conservadores com boas risadas! Alguns professores ressentidos forjaram com alunos -que também não gostavam muito de nós- associações de alunos que nos criticavam ou tentavam barrar todos nossos projetos de música, arte, campeonatos de esportes, etc... Mas sendo eles sempre minoria e desprovidos da mesma criatividade que possuíamos, acabaram ficando entregues a seus próprios resmungos, enquanto inserimos na escola um grupo de teatro e outro de dança ( os professores de teatro e dança eram alunos da escola que faziam parte do grêmio e que foram, naquele tempo, meus melhores amigos. O que dava aula de dança era homossexual e estar envolvido nesse grupo fazia com que se sentisse protegido, estávamos - os membros do grêmio- prontos para afastar qualquer ideologia homofóbica, racista ou sexista! Conceitos esses que aprendemos com o velho rock n’ roll).
.......Com a chegada do fim de minha estadia na escola e achando que aproveitaria esse meu período de turbulência pensante em uma universidade, me inscrevi no vestibular de filosofia. Como é sabido, vigor de pensamento não é o maior atrativo da cidade de Chapecó, por isso a turma de filosofia quase não fechou! Mas no fim das contas lá estava eu, como um cachorro assustado, freqüentando um espaço imenso, cheio de outros problemas - mas vou me restringir nesse escrito a falar só de música, portanto esse papo fica para outro momento- e assim, lá, com meus dezoito/dezenove anos. estava eu.
........O contato com a escola, que fiz parte, aos poucos foi se perdendo. A banda que tinha (que nesse momento se chamava Platteau e gravou um single não lançado para venda, apenas no rádio - esse single, deve constar, foi executado ao mesmo tempo na rádio local e por um amigo em uma rádio de Portugal- sendo melhor recebido em Portugal do que aqui : engraçado, não é?) se desintegrou por incompatibilidades da vida dos integrantes. Primeiro saiu o baixista (ainda um grande e nobre amigo) o que me apresentou a ideia de mudar a configuração da banda para guitarra e bateria, essa configuração aos poucos foi se adequando a nova proposta (eu nunca tinha ouvido falar de bandas que tivessem essa configuração até aqui - para ver minha ingenuidade musical) e assim fizemos poucas apresentações até eu me deparar com as limitações dessa cidade no que diz respeito a incentivo musical. Vendo que não tinham incentivos para o cenário (que no fundo finge que é um cenário) musical, sugeri o fim da Platteau. Ainda me recordo do dia, o baterista que acabara de se “casar” (juntar-se, seria o termo mais apropriado) estava alimentando os cães em sua casa e quando terminei de dizer que propunha o fim da banda ele me respondeu: eu ia lhe sugerir a mesma coisa! Imagino que contemos algumas lágrimas naquele momento, mas as coisas têm que seguir de alguma forma - imagino que a maior parte dos músicos dessa cidade ainda não derramaram uma lágrima pela música, o que me faz duvidar do caráter deles até hoje- pois assim é que é!
.......Durante algum tempo me restringi à leitura e estudar música nos dias entediantes. Meus dias foram preenchidos principalmente por Schopenhauer, Nietzsche, Freud, Fante, Bukowski, Pessoa, Little Waters, Otis Rush, Rimbaud, Foucault, Bakunin, Bey, Agamben, Lacan, Sartre, Heidegger, Reyes, Cioran, Gogh, Goya, Free Box vermelho, Café, Cerveja, Tomates, Mulheres, Beuys, Fluxus, Ratos de porão, Replicantes, Camisa de Vênus, Howlin Wolf, Age of empires, Tolkien, Três empregos, cinema, bares, Duas trocas de lentes e novos exames de ceratocone, Radiohead, Fluoxetina por um tempo - até achar inútil-, Caminhadas noturnas, Escritos que joguei fora, Pelbart, Pumpkins, Rancière, Aulas na universidade (essas são as coisas que me recordo no momento) e algumas músicas compostas e armazenadas na cabeça.
.......Foi por aí que um amigo de infância (André Romanoski - que provavelmente tem uma história musical tão longa como a minha- “um sem vergonha de um baterista”), depois de um improviso de guitarra e bateria, fruto de uma brincadeira sem projeto chamada Sodoma (onde tocávamos punks e coisas que estávamos afim, com a presença de outro amigo chamado Jader, - na verdade uma desculpa para nos encontrarmos e bebermos e desabafarmos) aceitou de adotarmos as músicas da Platteau e outras novas que eu havia composto e montar a Sodoma H. (“H” de hematófago- animais que se alimentam de sangue). A configuração ficou guitarra, vocal, bateria (nesse momento eu já sabia que existiam outras bandas de formatos semelhantes que obviamente fui estudá-las) - pelo menos até a banda sobreviver-, o projeto foi discutido exaustivamente, lançamos fora a maior parte das músicas que não passavam de desabafos e ladainhas. Estudamos o máximo possível para juntar uma sonoridade grunge, punk, blues com outras coisas que nós mesmos inventamos e nem se quer conseguimos nomear. Lapidamos isso para não cair naquela ladainha de bandas ditas contemporâneas que fazem uma verdadeira salada de coisas para engrandecer e dizer por ai que tem milhões de elementos. Intensificamos o sentido não sincronizado (que para quem não sabe é isso que tem a ver com contemporâneo na música e não colagens de cinema, teatro, literatura: basta lembrar de Richard Wagner, na música clássica moderna) ao mesmo tempo em que olhamos para o escuro de nos mesmos e nosso tempo, enfim, tocamos até sumir e dar lugar a uma única coisa: Um poema! Aos que já viram a Sodoma H. agindo, bem, saberão quando isso acontece... Nos livramos do saudosismo do rock, pratica visível em bandas que nem se consegue distinguir os “covers” das músicas próprias - isso quando tem músicas próprias para mostrar, ha um grupo que se apresenta sem nem ter músicas próprias, contraditório? Paguem e vejam se tiverem um tempinho para perder!- e apostamos apenas nisso, no poema.
.......Para encerrar agora - imagino que grande parte já torrou o saco de ler tanto, mas garanto-lhes que foi intensional- o motivo para mim ter lhes contado toda essa história é que as vezes sinto que algumas pessoas esquecem que somos algo que rasga em farrapos as limitações. Coloquei uma parte de minha história particular nesse texto para que esses que esquecem - ou talvez não saibam ainda o que somos, ou o que, quem, eu sou- de nossas pretensões não pensem que não estamos atentos a forma como nos olham ou como nos julgam. Digo principalmente a outros projetos ou bandas ou saudosismos do rock, que não pensem que não sabemos o que vocês estão fazendo e como estão fazendo. E vou finalizar como o velho Buk no “O capitão saiu e os marinheiros tomaram conta do navio”, prestem atenção! Na primeira vez que a Sodoma H. foi se apresentar recebi um “conselho” de um integrante da extinta banda (não há problemas em citá-la, não é falta de ética e tome no... quem pensa que é) Diabo à Quatro . Esse sujeito me disse: “_Vocês tem que tocar um som para a galera curtir. As pessoas não saem de casa para pensar, saem para se entreter, se divertir! Esse negócio de mudar o mundo não dá em nada, não tá com nada!” Tempos depois eu vi essa banda tocando em uma festa da psicologia, letras e artes visuais (a tchurma bacharelado) da unochapecó - É óbvio que não foram às melhores turmas da unochapecó- e os achei horríveis! Não tinham nenhuma proposta tal qual aqueles acadêmicos que ali estavam reunidos (sim, nem eu tinha proposta aquela noite) Naquela época eu me limitei a fazer o que sabia fazer na Sodoma H. e não respondi esse cidadão, mas agora -hehehe- eu respondo: FODA-SE CARA! Continuamos sendo a SODOMA H. e continuamos fazendo as pessoas pensar e sentir! E vocês já eram!
.............................
É muito bom poder dizer isso! Hehehehehe!
..
r.A.- VOCALISTA E GUITARRISTA DA BANDA SODOMA H. (Escrevi gritando)
...
ps: Para quem não leu até o fim, perdeu esse maravilhoso final!
domingo, 20 de junho de 2010
Utopia de Bêbado Filósofo Part.2
.......Disse-lhes que começaria uma seqüência de textos... Como diz o subtítulo do livro The Hobbit :“Lá e de volta novamente”. Se me permitem uma última ladainha antes de ir ao miolo de nossa saborosa fruta, digo que escrever não é uma tarefa muito fácil. Não é fácil escrever quando você não esta motivado por nada além da falta de sono &“sons da rua”. Bons cronistas escrevem por um maço de dinheiro. Certamente eu tenho tudo que um bom cronista tem, menos um maço de dinheiro como inspiração. Ainda ontem uma pessoa me disse a queima roupa: Se eu fosse você escreveria esses seus textos em um jornal! Sorri e dei as costas, afinal eu não poderia mentir. Não aqui. Não agora. Mentir requer bastante criatividade e minha criatividade esta de mal comigo. Certamente eu tenho todas as qualidades que um bom mentiroso precisa. Por que não mentir então? Ora, porque tanto faz mentir como falar a verdade (mas mentir requer aquela criatividade...). No fim das contas são só palavras!- e palavras é a linha tênue que separa um louco de um não-louco- entendam como quiserem...
....... Falei que daria algumas dicas para ser bem recebido no campo intelectual da cidade de Chapecó. Poderia dar dicas para ser bem sucedido financeiramente, mas isso sub-entendo que vocês todos já sabem, mas faremos uma nota só para retomar a matéria: Encontre um grupo de pessoas. Explore esse grupo de pessoas. CHAZAM! Como se fosse um milagre você estará bem sucedido financeiramente! Há algumas formas ditas “justas”, mas sabemos que a média de durabilidade do ser humano -funcional- é de aproximadamente 30 a 40 anos e a cerveja, os livros, o aluguel, e os discos continuam caros, aí fica difícil economizar. Continuando com as dicas para entrar no campo intelectual em Chapecó, disse-lhes para ir praticando o espanhol, lembram? Entonces, um dos primeiros passos é você ter um sotaque carregado. O espanhol é uma boa dica justamente porque você quer ser compreendido - e o espanhol, embora exija um pouco de habilidade para ser falado, não exige muita habilidade para ser compreendido para aqueles que falam português - e falando espanhol (mesmo que você more em Chapecó a dez, vinte anos...) ainda remete a um status de importância (obs: mesmo que seja só na sua cabeça). É claro que com vinte anos morando no Brasil, falando e ouvindo as pessoas falar português, alguém perderia uma boa parte do sotaque, mas aí fica de tema de casa você praticar no banheiro - de frente para o espelho. Afinal, você não quer perder esse status não é mesmo? Nesta mesma linha, caso você de vez em quando esqueça de se policiar a falar espanhol, você pode encarnar um sotaque carioca. Sim, se o carioca parecer difícil (tem gente que encontra grandes dificuldades em chiar o tempo todo), você pode “sotacar” de forma paulista ou gaúcha. Esse último é o mais simples. Quando estiver no meio de um grupo de intelectuais - ou que você julga serem intelectuais... e eles também se julgam assim- você diz: VaMoS tOmARRR uMa CeRvEjAA GuRrIsADa? (Nota: As letras maiúsculas sugerem que você fale como se tivesse engolindo uma bola de sinuca. Caso você não consiga fazer isso, experimente falar pulando no começo). Se alguém estranhar e lhe perguntar: Que modo de falar é esse? Aí você diz: É qUe Eu sOu dE PO “U” A. O importante é que você nunca fale Porto Alegre, e não esquecer da ênfase no U- Ele não esta ali, mas a frescura é uma exceção da regra. Tem que ser Poa! Vocês sabem que fora Porto Alegre o resto do Rio Grande é o resto do Rio Grande - Assim como fora Florianópolis o resto é o resto de Santa Catarina. Vocês podem achar que estou delirando agora, mas observem atentamente alguns dos intelectuais de nossa cidade. Eles, obviamente se esforçam para dar todas as dicas que não são daqui. A maneira como pronunciam suas instruídas palavras é um grande ponto a favor. Uma forma de fortalecer suas palavras é ouvir bastante Engenheiros do Havaí - Embora o novo projeto do Humberto com aquele cara do Cidadão Quem também é fantástico nesse ponto- já que esse sotaque ganhou o estado. Além de você poder praticar o sotaque reproduzindo minuciosamente as canções, você também pode aprender alguma frase de efeito sem sentido. Tenha certeza que algumas pessoas vão parar para ouvi-lo! Você pode falar, por exemplo, no meio de um assunto em qualquer lugar: “O supra-sumo da contradição é o paradoxo de estarmos vestidos com os vestígios de um radar mercadológico ao mesmo tempo ideológico...” e o resto você inventa. Mas tome cuidado para não mesclar todas as técnicas aqui apresentadas. Você pode acabar proferindo uma frase extravagante demais. Do tipo: eL sUPrA tICos dE lA PO “U” A mIeRcaDolOJiCo RRRRRRRRRR... VaMoS tOmAr un PoQuITo De iDeOlÓgIA... Portanto estejam atentos, pois até os melhores nisso acabam cometendo esse deslize. Se bem que, como esses são profissionais nisso, essas “panes” passam batidas. Intercalar algumas máximas em italiano ou alemão também é uma dica. Francês só se você estiver cantando alguém no grupo. Só não sugiro que use o sotaque italiano ou alemão, porque os italianos gritam demais e os alemães babam muito quando falam.
.......Para concluir essa parte dos sotaques meus queridos amigos, preciso fazer uma apologia de mim mesmo. Não tenho nada (ou quase nada) contra línguas estrangeiras. Tenham em mente que estou apenas lhes apresentando algumas dicas baseado em observações dos grupos intelectuais da cidade. Em geral, os grupos têm uma dessas figuras no seu meio, ou seja, um cara que: Ou mora aqui há dez anos e ainda fala espanhol, ou alguém que tem um sotaque de fora que depois de dez anos ainda não o perdeu. Portanto o sotaque é mais que um charme, é um critério. Geralmente esses sotaques se encontram em grupos teatrais - os mais sórdidos da cidade- e por aí vai. Lembrem-se que o famoso “ti” das “patricinhas” não faz parte dos sotaques, já que o “ti” (gentI... vocês não acreditam que hojI eu quasI perdi a hora...etc...) esta incorporado nesses circuitos por frescura mesmo e sem grandes esforços. Então vamos lá, cada um no seu barco para o seu rumo e no próximo texto da Utopia de Bêbado Filósofo iremos analisar como podemos depois de um fracasso acadêmico nos grudar em uma madame rica e fazer de conta que uns trapos é arte contemporânea! Adianto que não será fácil, mas para estarmos por dentro da lição sugiro a leitura de Anne Cauquelin (qualquer artigo referente à arte contemporânea) só para as coisas ficarem mais interessantes.
=
“A prática constante nos conduz a perfeição”- Bushidô (Caminho do guerreiro).
-
r.A.
....... Falei que daria algumas dicas para ser bem recebido no campo intelectual da cidade de Chapecó. Poderia dar dicas para ser bem sucedido financeiramente, mas isso sub-entendo que vocês todos já sabem, mas faremos uma nota só para retomar a matéria: Encontre um grupo de pessoas. Explore esse grupo de pessoas. CHAZAM! Como se fosse um milagre você estará bem sucedido financeiramente! Há algumas formas ditas “justas”, mas sabemos que a média de durabilidade do ser humano -funcional- é de aproximadamente 30 a 40 anos e a cerveja, os livros, o aluguel, e os discos continuam caros, aí fica difícil economizar. Continuando com as dicas para entrar no campo intelectual em Chapecó, disse-lhes para ir praticando o espanhol, lembram? Entonces, um dos primeiros passos é você ter um sotaque carregado. O espanhol é uma boa dica justamente porque você quer ser compreendido - e o espanhol, embora exija um pouco de habilidade para ser falado, não exige muita habilidade para ser compreendido para aqueles que falam português - e falando espanhol (mesmo que você more em Chapecó a dez, vinte anos...) ainda remete a um status de importância (obs: mesmo que seja só na sua cabeça). É claro que com vinte anos morando no Brasil, falando e ouvindo as pessoas falar português, alguém perderia uma boa parte do sotaque, mas aí fica de tema de casa você praticar no banheiro - de frente para o espelho. Afinal, você não quer perder esse status não é mesmo? Nesta mesma linha, caso você de vez em quando esqueça de se policiar a falar espanhol, você pode encarnar um sotaque carioca. Sim, se o carioca parecer difícil (tem gente que encontra grandes dificuldades em chiar o tempo todo), você pode “sotacar” de forma paulista ou gaúcha. Esse último é o mais simples. Quando estiver no meio de um grupo de intelectuais - ou que você julga serem intelectuais... e eles também se julgam assim- você diz: VaMoS tOmARRR uMa CeRvEjAA GuRrIsADa? (Nota: As letras maiúsculas sugerem que você fale como se tivesse engolindo uma bola de sinuca. Caso você não consiga fazer isso, experimente falar pulando no começo). Se alguém estranhar e lhe perguntar: Que modo de falar é esse? Aí você diz: É qUe Eu sOu dE PO “U” A. O importante é que você nunca fale Porto Alegre, e não esquecer da ênfase no U- Ele não esta ali, mas a frescura é uma exceção da regra. Tem que ser Poa! Vocês sabem que fora Porto Alegre o resto do Rio Grande é o resto do Rio Grande - Assim como fora Florianópolis o resto é o resto de Santa Catarina. Vocês podem achar que estou delirando agora, mas observem atentamente alguns dos intelectuais de nossa cidade. Eles, obviamente se esforçam para dar todas as dicas que não são daqui. A maneira como pronunciam suas instruídas palavras é um grande ponto a favor. Uma forma de fortalecer suas palavras é ouvir bastante Engenheiros do Havaí - Embora o novo projeto do Humberto com aquele cara do Cidadão Quem também é fantástico nesse ponto- já que esse sotaque ganhou o estado. Além de você poder praticar o sotaque reproduzindo minuciosamente as canções, você também pode aprender alguma frase de efeito sem sentido. Tenha certeza que algumas pessoas vão parar para ouvi-lo! Você pode falar, por exemplo, no meio de um assunto em qualquer lugar: “O supra-sumo da contradição é o paradoxo de estarmos vestidos com os vestígios de um radar mercadológico ao mesmo tempo ideológico...” e o resto você inventa. Mas tome cuidado para não mesclar todas as técnicas aqui apresentadas. Você pode acabar proferindo uma frase extravagante demais. Do tipo: eL sUPrA tICos dE lA PO “U” A mIeRcaDolOJiCo RRRRRRRRRR... VaMoS tOmAr un PoQuITo De iDeOlÓgIA... Portanto estejam atentos, pois até os melhores nisso acabam cometendo esse deslize. Se bem que, como esses são profissionais nisso, essas “panes” passam batidas. Intercalar algumas máximas em italiano ou alemão também é uma dica. Francês só se você estiver cantando alguém no grupo. Só não sugiro que use o sotaque italiano ou alemão, porque os italianos gritam demais e os alemães babam muito quando falam.
.......Para concluir essa parte dos sotaques meus queridos amigos, preciso fazer uma apologia de mim mesmo. Não tenho nada (ou quase nada) contra línguas estrangeiras. Tenham em mente que estou apenas lhes apresentando algumas dicas baseado em observações dos grupos intelectuais da cidade. Em geral, os grupos têm uma dessas figuras no seu meio, ou seja, um cara que: Ou mora aqui há dez anos e ainda fala espanhol, ou alguém que tem um sotaque de fora que depois de dez anos ainda não o perdeu. Portanto o sotaque é mais que um charme, é um critério. Geralmente esses sotaques se encontram em grupos teatrais - os mais sórdidos da cidade- e por aí vai. Lembrem-se que o famoso “ti” das “patricinhas” não faz parte dos sotaques, já que o “ti” (gentI... vocês não acreditam que hojI eu quasI perdi a hora...etc...) esta incorporado nesses circuitos por frescura mesmo e sem grandes esforços. Então vamos lá, cada um no seu barco para o seu rumo e no próximo texto da Utopia de Bêbado Filósofo iremos analisar como podemos depois de um fracasso acadêmico nos grudar em uma madame rica e fazer de conta que uns trapos é arte contemporânea! Adianto que não será fácil, mas para estarmos por dentro da lição sugiro a leitura de Anne Cauquelin (qualquer artigo referente à arte contemporânea) só para as coisas ficarem mais interessantes.
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“A prática constante nos conduz a perfeição”- Bushidô (Caminho do guerreiro).
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r.A.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Folsom Prision Blues
Eu ouço o trem chegando
Está passando pela curva
E eu não tenho visto o sol desde eu nem me lembro
Quando
Eu estou preso na prisão de folsom, e o tempo
Continua se arrastando
Mas aquele trem continua passando, indo até San Anton...
Quando eu era só um bebê, minha mãe me disse:
"filho,Sempre seja um bom menino, nunca brinque comArmas."
Mas eu atirei num homem em Reno só para vê-lo Morrer
Agora toda vez que escuto aquele apito, eu seguro
Minha cabeça e choro...
Eu aposto como existem ricaços jantando num
Restaurante da moda
Eles provavelmente estão bebendo café e fumando
Grandes charutos.Bem, eu sabia que isto aconteceria, eu sei que não
Posso ser livre
Mas essas pessoas continuam vivendo/ se movendo
E é isso o que me tortura...
Bem, se ele me libertassem desta prisão,
Se aquele trem fosse meu,
Eu aposto como eu iria só mais um pouco
longe
Longe da prisão de folsom é onde quero ficar
E deixaria aquele apito levar minhas tristezas...
(JOHNNY CASH)
.............................................
Está passando pela curva
E eu não tenho visto o sol desde eu nem me lembro
Quando
Eu estou preso na prisão de folsom, e o tempo
Continua se arrastando
Mas aquele trem continua passando, indo até San Anton...
Quando eu era só um bebê, minha mãe me disse:
"filho,Sempre seja um bom menino, nunca brinque comArmas."
Mas eu atirei num homem em Reno só para vê-lo Morrer
Agora toda vez que escuto aquele apito, eu seguro
Minha cabeça e choro...
Eu aposto como existem ricaços jantando num
Restaurante da moda
Eles provavelmente estão bebendo café e fumando
Grandes charutos.Bem, eu sabia que isto aconteceria, eu sei que não
Posso ser livre
Mas essas pessoas continuam vivendo/ se movendo
E é isso o que me tortura...
Bem, se ele me libertassem desta prisão,
Se aquele trem fosse meu,
Eu aposto como eu iria só mais um pouco
longe
Longe da prisão de folsom é onde quero ficar
E deixaria aquele apito levar minhas tristezas...
(JOHNNY CASH)
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a Baco
a noITe insISte em SeR nOiTE
O FrIO qUeiMA
nA escURIdãO tATeIo
A lUZ cEGa
gOTEjaM gOTaS
NA tAÇa uM pOUCo dE vinHO faZ gRAça
neSTE pOUco mE SintO
A LuZ cESSa
a AlmA aqUIEta
O cORPo caNSA
vIvER iNSIstE
O desEJO desEJA
o AmaNHÃ inSISte eM sEr OntEM
NA pONTa dO láPIS EnlaÇO uM tRAÇo dE vIDa
nA caRÊncIA dE PalavRAS E fALTa de vinHO
SeRIA Eu diVINo?
____________________________________________
PCê- Filósofo e Poeta.
O FrIO qUeiMA
nA escURIdãO tATeIo
A lUZ cEGa
gOTEjaM gOTaS
NA tAÇa uM pOUCo dE vinHO faZ gRAça
neSTE pOUco mE SintO
A LuZ cESSa
a AlmA aqUIEta
O cORPo caNSA
vIvER iNSIstE
O desEJO desEJA
o AmaNHÃ inSISte eM sEr OntEM
NA pONTa dO láPIS EnlaÇO uM tRAÇo dE vIDa
nA caRÊncIA dE PalavRAS E fALTa de vinHO
SeRIA Eu diVINo?
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PCê- Filósofo e Poeta.
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